segunda-feira, 24 de setembro de 2007

é tudo um descabimento
formas invisíveis de não-luz
boeiros destampados e honrarias esquecidas
a vida marca com lâmina e aguardente

não estudo mais suas formas
a geometria é previsivelmente pontiaguda
firme no seu propósito de romper
castigar

as cicatrizes suturam pelos ralos
e descem esgoto afora
desafogando-se
iluminando existência adentro

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Ando completamente perdida.
Só não consigo me dizer 'estou perdida' porque isso em si seria um achado.
(Pelo menos de dentro das palavras).
O assombramento e a desilusão me tomaram o espírito por completo.
Eu deixo as coisas acontecerem - as boas, as ruins - simplesmente porque não tenho coragem de interferir nos rios que me correm a existência.
Posso andar apaixonada ou absolutamente enlutada e isso é tudo o que minhas veias mal conseguem suportar.
A explosão e a demolição andam juntas e minhas vértebras quase retas expressam o meu bipedismo e não a minha capacidade de estar de pé.
E já faz tempo que meu coração veste este sobretudo preto e que um corvo anda pousado sobre meus ombros.
A ninfa da morte sopra nos meus ouvidos e eu repito a sua cantoria esquecendo as palavras. Ninguém me ouve porque não há o que ouvir e eu fico com uma cara de espanto que é aquela mesma de quando me vejo a um passo do abismo.
O abismo, agora, está a um passo para dentro e eu me jogo nele (uso os trampolins da minha infância) - porque na minha cabeça as imagens todas se misturam num jogo de espelhos (vida e morte, passado e futuro) tá tudo misturado, meu amor.
Um passarinho canta e essa é a única coisa que me acredita. Verto um copo de vinho e um redemoinho se abre no meu peito. O universo se expurga em mim.

domingo, 16 de setembro de 2007

sim eu acordo
com a certeza eterna
que uma manhã triste
me espera