segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Passo mais um café para te esperar. Acabo tomando três, quatro cafés por dia. É o meu cigarrinho. O barulho da água subindo me dá a sensação de que tem algo pronto. Enquanto espero, o som do vapor da Bialetti me distrai. A cidade está sempre balbuciando socorros e buzinas, mesmo em janeiro. Mas o mundo sempre acontece aqui dentro. Os dias passam. Um ritmo ameno dá conta dos acontecimentos. É estranho dizer, mas nada me aflige.

sábado, 19 de janeiro de 2013

in utero

Eu teria um título de um livro para te dar. Eu teria um segredo abismal, uma oferta irresistível. Um título de um livro seria algo de real valor. Às vezes pode ser tudo o que precisamos. Ou um título de alguma coisa. Um título de tristeza, um título de alguém na vida. Um drink no escuro, como um quarto escuro onde as pessoas se tocam sem saber quem são. Quem se atreve a entrar lá? Quem toma um drink sem saber o que tem, qual a mistura, a química e a quantidade de ingredientes? Porque você pode tombar você pode acordar sem saber seu nome. E saber seu nome pode ser a única coisa que no final das contas você pode lembrar. Esquecer o título de você mesmo. Somente o Astor saberia seu nome.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Foi depois de tomar aquele single malt que você trouxe. Uísque, cerveja ou vinho? A resposta definiria parte da intenção. Um tantinho de saudade. Na esquina do embarque, as pessoas se aglomeravam, alguns se beijavam, outros choravam. Japoneses se despediam em grupo. Um homem com o filho no colo olhava absorto o painel de partidas. Fiquei em dúvida de qual direção tomar e por alguns segundos andei em círculo. Não tocava nenhuma música de fundo na minha cabeça.