terça-feira, 19 de agosto de 2008
Alegria estranha e outros mistérios
O autor póstumo
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
15h, velório
terça-feira, 5 de agosto de 2008
em casa
A única coisa que eu tenho verdadeiramente vontade de fazer é ir para casa. É o único lugar no mundo onde me sinto um pouco aconchegada. No resto, sinto um deslocamento, se estou no cinema estou pensando que queria estar na minha casa, se estou na minha casa gostaria (idealmente) de estar num cinema. Mas se estou na minha casa, pelo menos não tenho que voltar para algum lugar, é simplesmente lá onde vou ficar, talvez onde vou morrer. E do cinema ainda há um percurso, ainda preciso ter que pensar um pouco qual foi a porcaria de filme que vi e não senti nada no meu coração. É uma maioria de coisas sem coração que há no mundo. E todo mundo culturalmente vivo está aí atrás de tudo, quer ver tudo, quer conhecer o desconhecido e contar pros amigos que viu um artista em tal galeria de arte. Meus caros, o meu coração é o que importa. Então vou pra casa e fico olhando as paredes. E olho o teto, as cadeiras - olho três quatro vezes cada objeto. E é neles que entendo toda minha existência, onde reconheço que eu também sou uma parede, uma cadeira, um objeto meio bípede, meio desengonçado - e ali encontro todo mundo. Brindo com meus amigos com vinho tinto, celebro todos que amo. Robson Crusoé fez o mesmo, sozinho, delirante e bêbado na ilha.
