quarta-feira, 21 de março de 2012

Atravessa. Inaugura. Invade. É a voz, mas também podem ser as palavras. Ou a língua. Não diria nada privado. Mas o amor atravessa. Inaugura, invade. Derrete. Uma combustão, duas combustões. Sem ar. Pinga. Embriaga. Encharca. Incha. Perfura a parede. Pendura quadros com borrões. Sou um delírio e sua boca perfura e desobedece meus sentidos. Eu desobedeço meus sentidos. Eu não tenho sentidos. Formigam vertigens, mãos na parede. Sua boca jorra sentidos.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Eu tenho uma espécie de medo do mundo. Um medo irracional, ilógico, ancestral. Não chega a me paralisar mas invade por um ou mais segundos e me faz pensar de um jeito estranho. A cidade não é suficiente para aplacar minha angústia. Pelo contrário. Quando saio, me sinto ainda pior. As ruas vociferam e atropelam tudo quanto. Os carros passam rápido e me deixam em vertigem. A minha labirintite ataca. Selvagem, deito no chão, e fecho os olhos.