segunda-feira, 21 de junho de 2010

na missa de minha mãe

veio uma criança falar comigo. Começou a pegar algumas flores que estavam no chão. Buscou folhas grandes e colocou em cima do banco. Em cima das folhas verdes, foi dispondo as flores. Enfileiradas. Perguntou o que eu estava fazendo ali. Por que estava chorando. Conversou comigo como se já me conhecesse. Disse que eu estava diferente. Protegi meu rosto do sol na sombra dos galhos. Tentei enxergar aquela menina como alguma espécie de enviada. Uma garrafinha em forma de gente, que traz uma mensagem.

domingo, 20 de junho de 2010

não tenho nada a dizer que já não tenha sido. abstratamente, a minha cabeça existe fora deste mundo. acredito que seja consumado o fato de eu não ter cabimento. tenho uma esperança inequívoca e impronunciável. a estranheza que sinto é.

do amor.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

um micro-sonho. uma manta em cima do sofá. colorida. feita à mão. durmo plenamente sem arrepios.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

é no meio fio da existência. a palavra existe. no entre, na ausência. na casa desfocada da paisagem, no olhar indômito, na vertigem sustentada, nas entranhas do silêncio (o silêncio tem seu orgulho). no estupor e no sangue.
vestígio do dia anterior. um pedaço da sua jaqueta vermelha passou pela esquina da cardeal. na praça o sangue ainda brilhava no chão. dependendo da angulatura, o sol riscava a faca e me cegava em flashes. as minhas vísceras reviravam. não fui eu, disse. o detalhe da jaqueta me perturbava.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

é da ordem do impossível, do visionário, do vislumbre. o sentimento de mundo, inabalável. fico feliz quando atravesso minhas mazelas. construo três tijolos e derrubo dois. mas um é número que ainda me alegra. e eu sigo até o limite o meu sentimento de mundo. que seja ele agora o da lonjura do mundo. só eu estou no lugar onde devo estar. mais ninguém cabe aqui. venço minhas tormentas internas, traço genealogias dos meus erros e dou um sorriso no espelho. torno-me impossível. sou uma ilha no meio das luzes da cidade.
largo passados. enterro, ou já enterrei, muita gente. com ou sem partes de mim. com ou sem lamentações. muitos daqueles que achei que amei, ou achei que achei. dos enganos sobram metades (sempre prontas a partir). sombras finadas. quase como velar um corpo enganado. entrar no enterro errado.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

comecei a rezar. que não me apareça alguém super empolgado dizendo que ama a vida e que está pronto para me resgatar da melancolia. a vida está impregnada de aletoriedade. ainda bem.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

é um sonho-delírio, quem, ainda não conheço. uma vertigem de futuro. alguém que pode ser. estou sempre pronta para me tornar.

terça-feira, 1 de junho de 2010

um brinde à leis universais e absolutas: a verdade sempre emerge, a verdade liberta, o eterno retorno é implacável e o juízo final acontece durante.