quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

É, muitas vezes, a única palavra. A única palavra pode ser. Um empurrão, ela vem como um sopro quando é o estômago que está amarrado, distorcido. Eu vou desfalecendo, uma hora deslizo, quase sem barulho, delicadamente debruço e me encolho no chão de madeira da sala. Ali fico, como uma lagarta tendo alguns espasmos, respirando forte, como uma única e inequívoca certeza.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sonhei. Eu não estava na minha casa. E não era eu. Não sei quem era. Mas estava num elevador. Errava o botão. Ia mais alto do que podia. Estranho ir mais alto. Sempre fui ao rés do chão, vez por outra frequentando porões, escuros e úmidos, com roedores me ameaçando. Ir alto, alto demais, no último andar. É longínquo. É um dia. É quase hoje.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Tem um bloquinho lá fora de Carnaval. Ouço as vozes e as palmas, se você fosse sincera, ô ô ô ô, Aurora. A reclusão tem seus delírios. Ouve-se vozes, palmas, solfejos, uma sanfona de fundo, vê-se perucas loiras, azuis, prateadas. O Astor late. Ô abre alas. Eu tenho um delírio azul da cor dos seus olhos.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É a sua pele que habita meu corpo. Permanece, não por instantes. Atravessa. Vai com o tempo até eriçar cervical acima e abaixo como um rio que percorre seu leito. Às vezes delicado, noutras enxurrada. São as suas nuances, eu não pretendo descobri-las todas. É tudo muito. É tudo vasto. Num campo longínquo te vejo num de seus vestidos cor de piscina. Vem mergulhar comigo. Depois vem secar no sol as gotinhas que pingarem do nosso cabelo. Tem um mundo no meu peito.
Eu tenho. Gosto, desse tom azul. À noite ele fica mais escuro. Agora, ao sol, é bem como o mar. Ou uma piscina, lugar dos meus preferidos. Não é uma vertigem, não é fortuito; nada daquilo que até testei, de uma forma um pouco desastrosa. Eu sabia que poderia. Mas não imaginava que fosse tanto. Ficou todo mundo muito pequenininho. Eu, do seu lado, só quero estar do seu lado.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Eu teria visto o seu rosto. Puro, com a definição perfeita do contorno. Só não vi antes porque meus olhos eram pequenos --e a sua beleza grande demais para mim. Mas eu compreendi. Não sei se tarde, não sei se lenta. Um dia, agora, eu posso dizer. Explodindo.