sem coragem de invadir as tristezas alheias, e muito menos as minhas próprias
é a covardia que me ataca, como uma gripe noturna uma febre invade incha minhas glândulas
é o medo, você precisa se animar, diz, todo mundo diz tudo e qualquer coisa; todo mundo quer tirar o suicida da ponte porque é o fracasso explícito da humanidade jorrado escarrado naquele corpo que parece uma pluma uma folha de árvore que flutua no ar em direção ao estilhaço final
mas o estilhaço os cacos de vidro às vezes já estão separados já estão em cantos do mundo que a covardia não nos deixa conhecer. é antigo o medo de espalhar-se quebrar a casca do ovo e invadir novos mundos uma força retroativa me deixa encostada na parede olhando o mundo um susto sempre me atinge e morro tantas vezes respiro