um desenho
um desejo solto
no papel
mais caneta
do que borracha
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
saber-me só. não ter ninguém com quem. ter pessoas ao meu redor mas ninguém que seja. nada meu. apenas. somente a mim. entro um terço a mais de mim. sim, porque não me tenho por completo. tudo o que tenho, minha casa, meu cachorro, estão fora de mim. as plantas do jardim. as músicas que compus. um dia, sim, poderei. e neste dia, estarei na minha banheira vermelha com uma taça de vinho na mão.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Começar um texto com qual linha. Puxo diversos começos possíveis e nenhum chega a me agradar. É provável que eu esteja assim. Sem conseguir escolher por entre nada. Quase sem conseguir acordar e levantar da cama. Sorte estarmos no verão. O sol é um delírio pulsante, queima os fungos as minhas chagas as minhas vísceras expostas. A cena mais impressionante do meu pior sonho dos últimos tempos foi as minhas vísceras expostas em forma de ratos. Eles não vão comer a minha cabeça. Mas até o calor solar queimar toda a minha raiva, meus impulsos violentos, tudo o que eu escondi de mim mesma até hoje, vai demorar. Enquanto isso, não sou parte deste mundo. A sua lógica não me pertence. Não adiantaria guiar longamente por uma estrada a fim de me perder. Não há futuro. Sou eu e meu cachorro a olhar a janela. Começa com o sol, a chuva, a noite e suas luzinhas piscando. Não sou alguém a mais de mim. Na paisagem ali estão minhas entranhas. Eu nunca as tinha visto. É desgostoso não tê-las mais dentro, criou-se um buraco, um vazio amarrado no âmago.
Escrevo à mão num caderno antes de dormir, em cima da cama. O Astor raramente sobe na minha cama. Mas ontem, ele me olhou e eu entendi o seu pedido. Liberei a sua subida, ele deitou do meu lado e colocou o focinho em cima do caderno.
Não existe estrada, caminho, porque não há mais encruzilhada. Estou onde mais devo; a palavra sempre me salva do completo afogamento.
Escrevo à mão num caderno antes de dormir, em cima da cama. O Astor raramente sobe na minha cama. Mas ontem, ele me olhou e eu entendi o seu pedido. Liberei a sua subida, ele deitou do meu lado e colocou o focinho em cima do caderno.
Não existe estrada, caminho, porque não há mais encruzilhada. Estou onde mais devo; a palavra sempre me salva do completo afogamento.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
São os ratos os meus inimigos. Eu achei que fosse o Astor ou a água ou a torneira ou a caixa d´água. Mas não. Eram eles. São os atormentadores da minha alma. Depois de despertar e ver que não era o Astor nem a água, notei, perfeitamente, seus ruídos. Malditos. Eu os odeio com toda a minha força. Eles são algozes quase invisíveis. Somente quando estão já instalados que percebemos a presença deles. Eles são tudo o que tento evitar. A sujeira, a doença, a vida rasteira, todos os objetos inúteis que estão no meu porão. Objetos que não posso me desfazer porque "um dia podem ser úteis" segundo meu irmão. Não posso jogar tudo fora. E está tudo lá, atulhado no meu porão. São 11 horas e 11 minutos. Esta lógica também me persegue mas ela me lembra só coisas boas (este será outro post, dedicado a um grande amor). E não só me acordaram, como entraram sorrateiros no meu sonho. Tive o pior sonho da minha vida dos últimos tempos.
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