Em tempos de infame indelicadeza
estão todos cansados, cada dia mais
dormem pouco ou dormem muito,
os infames.
Xingam-se porcarias e roubam
almas mútuas.
Ali, nas esquinas, extraem impurezas
respirando fuligem e pólvora
cheios de acessórios, tão parecidos.
Transitam entre ritmos agendados
sem dor.
(Rímel delineado).
Entre indelicadezas,
tocam-se, fortuitos, e viris
(assim lhes são chamados).
Todos viris, assim devemos,
cotovelos blindados.
O motor já me entorpece
como se já fosse algo até,
bonito.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
e lá vai.
mais meio século, alguns quilos e uma garrafa de vinho.
o sino bate, mas só no filme.
os filmes italianos deveriam ter todos, sinos.
alguma coisa vai, sempre sofrida
aquilo que uma vida inteira, nem uma morte, explica.
um dia somos todos onerosos, falantes, nas festas, na fila
intensos
alguém grita - um gozo! - no meio da noite.
te acorda num sopetão, lamento, não sou eu, veja bem
desse jeito não seria.
seria uma solidão, obrigada - olívias, carminhas, vocês me deixaram bem assim
tentando tocar trompete.
vem aqui, me conta um segredo
eu esquecerei amanhã - e não te julgo
os segredos são como acontecimentos: tanto faz!
uma lua nebulosa - não é ela que me encanta.
assim, uma vez mais, sem vertigem, o que é bem bonito
cabe numa fresta.
faz uma foto de si mesmo, se projeta
de um jeito: assim me vejo hoje ou como deveria.
fica aqui um minutinho, de um jeito que caiba no futuro.
com seu dourado, com seu cansaço,
me acorda de madrugada, esquece seu nome.
numa noite longínqua que dura dois dias.
me mostra seu colar, sua fala mole, esfumaçada.
um samba curto, na sala de casa.
em curvas, te digo. vem no meu tapete.
prova uma champanhe gelada. deita um dia quente
em cima do mosaico que um dia vi num museu, longe de você
e que sorri, sorri demasiado de pensar que.
era ali. era ali que eu queria.
mais meio século, alguns quilos e uma garrafa de vinho.
o sino bate, mas só no filme.
os filmes italianos deveriam ter todos, sinos.
alguma coisa vai, sempre sofrida
aquilo que uma vida inteira, nem uma morte, explica.
um dia somos todos onerosos, falantes, nas festas, na fila
intensos
alguém grita - um gozo! - no meio da noite.
te acorda num sopetão, lamento, não sou eu, veja bem
desse jeito não seria.
seria uma solidão, obrigada - olívias, carminhas, vocês me deixaram bem assim
tentando tocar trompete.
vem aqui, me conta um segredo
eu esquecerei amanhã - e não te julgo
os segredos são como acontecimentos: tanto faz!
uma lua nebulosa - não é ela que me encanta.
assim, uma vez mais, sem vertigem, o que é bem bonito
cabe numa fresta.
faz uma foto de si mesmo, se projeta
de um jeito: assim me vejo hoje ou como deveria.
fica aqui um minutinho, de um jeito que caiba no futuro.
com seu dourado, com seu cansaço,
me acorda de madrugada, esquece seu nome.
numa noite longínqua que dura dois dias.
me mostra seu colar, sua fala mole, esfumaçada.
um samba curto, na sala de casa.
em curvas, te digo. vem no meu tapete.
prova uma champanhe gelada. deita um dia quente
em cima do mosaico que um dia vi num museu, longe de você
e que sorri, sorri demasiado de pensar que.
era ali. era ali que eu queria.
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