terça-feira, 31 de julho de 2012

Eu tenho um delírio pulsante e inesgotável.

sábado, 21 de julho de 2012

É do lugar mais confortável que conheço. De onde falo, é daqui. É esta fresta do mundo, apenas, esta pequena fresta de luz por entre a persiana. Uma breve e gelada brisa entra pelo canto da janela, apenas a lembrar-me como o mundo está lá fora. Não confio que o mundo esteja igual, ele deve estar diferente. Porque o mundo muda muito. Num ritmo de cavalgada de quem tem absoluta pressa e jamais se cansa. Faz sol, finalmente. Não deveria ser assim, mas o céu e suas cores estão sempre a influenciar o meu humor. A estada por aqui tem sido boa, eu diria que caso este fosse o meu último dia, a única frase que eu iria pensar seria por que não curti mais, um único e simples lamento; e não mais. Muito mais do que os arrependimentos, porque estes eu já tenho todos, e já os lamento diariamente, e eles só tendem a crescer conforme cresce a minha cobrança por fazer tudo, conforme crescem as expectativas que eu mesma não consigo cumprir. Então lamentos eu os tenho. O que não tenho, e que do meu leito de morte irei dizer: deveria ter aproveitado mais. Porque sempre estará ruim de um jeito, mas seria somente atravessar a rua, ou mesmo trocar um pensamento pelo outro, para sorrir. Seria simples ter-me dito somente para relaxar seja lá qual for a realidade, porque ela sempre está de um lado solar e no seu oposto assombrada. Da fresta de realidade que me é permitido olhar, da minha caverna sem televisão e sem luz direta, com o Astor a proteger-me e latir para os trovões, eu diria que a minha solitude, o loro do quintal, as plantas mais ou menos bem cuidadas, é tudo o que a minha intimidade festeja. E que assim a minha vida siga com vista para o telhado vizinho, com suas telhas francesas bastante gastas, com as cumeeiras mal encaixadas, com o barulho da rua um tanto distante, e o quintal molhado.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Um segundo inativo. A decisão adiada. A banca de jornal está fechada. As britadeiras furam nossos pés. O cheiro de gás, e meus pulmões abertos. O tropeço na calçada, mais meio metro e estaria atropelada. Nem sempre dá para cair do lado de dentro. Hoje não tem notícia. Nenhum cachorro abandonado, nenhuma criança perdida. As doenças não foram curadas, nem as ruas asfaltadas. O céu está azul, obrigada.