terça-feira, 27 de setembro de 2011

Do amor eu sempre sonho. Na latitude uma vírgula, uma vírgula me faz continuar. Viro à esquerda, vejo uma mulher bonita, apressada. Eu teria um mundo todo. Ouve uma música bonita. Sem agudos, uma música sóbria. Sejamos sóbrios. Teria uma vírgula. Somos nós. Os objetos repousam, meus livros repousam sobre a cabeceira da cama. Eu sonho. Não com o amor. Eu sonho como o amor.

domingo, 11 de setembro de 2011

Eu poderia ir exatamente agora. O essencial já me foi dado.
Pois essencial mesmo é o Astor abanando seu rabo. O resto é uma coleção coletiva de neuroses e pessoas famintas. Despeço-me, mais uma vez, das minhas carcaças, tiro minhas peles, desvisto-me. A minha solidão é pura. Eu sou, infimamente. E essencial é nada. Vivemos em meio a barbárie, e isto, nada mudará. O comum é absolutamente torto e o massacre cotidiano segue seu curso. Cortam-se os laços. Não há banho sagrado que resolva. As belas vozes somente alguma arte pode atingir um coração. A natureza com sua beleza estupenda. Eu sigo meu curso, despetalado, com alguma sobriedade. Com o Astor abanando seu rabo. E é isto, somente, e talvez nem isto, que me leve ainda adiante.