sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sim, foi quando você me ligou e eu disse que estava tudo bem. Mas menti. Eu não estava bem. Não estava. Estava na cama, com dor em tudo, com dor de ontem, com um uma sensação de derretimento. A minha cabeça meio estranha, não sabia se pensava que devia ou não ter feito o que era ou não para ter acontecido. Se no banheiro se na pista se no corredor se naquela hora que você me olhou enquanto eu fechava os olhos para dançar. Olhinhos fechados. E naqueles corredores intermináveis as paredes floresciam e você desfilava no seu corpete vermelho como uma musa antiga como se estivesse em outro país e neste momento eu não sabia mais o meu nome. Tanto faz na verdade porque em qualquer lugar do mundo as paredes vermelhas o papel de parede os candelabros as luzes baixas o banheiro a bebida. Eu prefiro não lembrar o meu nome. E talvez nem me comunicar em qualquer língua. Porque falar é por demais estranho e nunca diz o que o coração. O coração está sempre sozinho num canto entre paredes ou subindo por elas ou trancafiado ou tomando uma ducha fria fato é que ele nunca está lá. Fico sentada numa cadeira de veludo bordô pensando enquanto passam as pessoas estranham como ela pode estar sentada pensando --ela é poeta. A bailarina chegou.