quinta-feira, 31 de maio de 2012

Uma verdade inaudita. Neste fim de tarde, talvez todas as ilusões tenham-se formado nuvens. Não nuvens espessas, mas aquelas que se espalham, sem vigor, quase imperceptíveis, um pouco desgostosas --e talvez até um pouco confortáveis. São quase céu. Se estão de ponta cabeça não nos cabe dizer. Estão lá finíssimas, se assoprarmos daqui, viram pó. Está tudo lá, as ilusões, os encantamentos, os floreios. E quem olha o céu para saber de ilusões e encantamentos? Só quando chove, e mesmo assim é para dar de costas.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Uma vez mais um dia é hoje. Não é quando, não é depende. É hoje.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Um dia assim. Um dia sem. Na ausência do verbo, eu continuo sem ele. O mundo tem muitos verbos. As pessoas falam muito. São muitos os barulhos. Puxo o ar, afundo. Fico lá, azul, sem respirar. Somente enxergo as bolinhas que saem vez por outra do meu ar. É um pouco do meu ar que explode lá fora, no mundo do barulho. Aqui dentro, o ar é silêncio, o ar é um suspiro quieto, um afago delicado. Meus pulmões respiram ar aqui de casa. Eu quero somente um silêncio, no máximo dois. Um delicado compartilhar, pequeno, entre nós. O mundo é pequeno. Sou eu e o meu jardim, com suas plantas mais ou menos bonitas. Sou eu mais ou menos aqui. Um pouco menos, hoje, com vontade de ficar pequena. O meu silêncio, e uma xícara de café esfriando em cima da mesa, com um papel de sonho de valsa que comi ontem. Não tenho grandiloquência. Sou pequena no meu mundo inteiro. Assim, com o loro do jardim crescendo. Com o telhado que vejo da minha janela, sujo de poluição. Poluição que vem todos os dias, borrando a visão, engripando os escapamentos, asfaltando as delicadezas que sobram -nem sei se sobram delicadezas. Toda vez que saio o mundo faz isso. Eu tento até resistir, mas resta-me ficar pequena. Não acuada; pequena. Neste mundo de tratores que asfaltam almas, eu não quero entrar.