segunda-feira, 25 de julho de 2011

é sóbrio, dança. refúgio. elíptico. eu te daria adeus não fosse o nó do meu peito. quando ela disse: aqui, no seu coração. estava parado ali. um resto de muro, talvez pichado. de repente fiquei leve, fortuita. olhei o mundo como mundo. (mundo é contrário de imundo. foi o que minha amiga, a filósofa, disse). a sua forma física é o amor declarado. parece que não, mas é.

domingo, 17 de julho de 2011

porque o amor pode ser totalmente cego, como pode ser totalmente cru. com um vestidinho xadrez, num silêncio vespertino que repercute na temperatura do final de tarde. sol de dia, de repente um frio sepulcral obriga-me a esquentar a água para fazer um chá de hortelã natural. uma música que começa triste e termina apoteótica, daquelas que dão vontade de correr, de pegar uma estrada, fugir do mundo para não se encontrar. nunca mais, a estrada nunca mais será a mesma. que daria de mim dizer que te amo e que sofro de perder-te? vespertinamente a temperatura cai. um frio entra pelas frestas do meu vestido, o meu pescoço endurece. a minha nuca. seria feliz com o seu beijo. o amor pode ser totalmente cru. pode ser uma lâmina, um gilette fino a estratificar a pele em linhas de sangue simétricas. pode ser uma abelha a zumbizar de agudezas o espírito. daquelas que atormentam até a morte, até o vergão furar a pele. agulha-lâmina, sóbria, vertiginosa, insistente, gradual, impoluta.
eu seria a sua vertigem. crescente, um tornado; da natureza extrai. ataco instintivamente um animal que não me ameaça. é o instinto. porque eu quero, eu gostaria. eu teria que. o astor se desvencilha da coleira. cegamente se mistura a outro animal. o meu instinto deve intervir. mas o meu instinto também é ele, assim embuído de cólera, sem guia, sem coleira, sem freio. caninamente ataco no meio da rua, a luz do dia, com os donos educados cumprimentando-se polidamente. o astor recua e me obedece. ele não sabe a que ânima atender, então cede. o outro cão não reage. somos dois animais, eu e o astor, a brigar com o mundo com a nossa raiva incontida e inexplicável.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

só existe um amor no mundo. exatamente aquele que você perde. numa estação de trem se despede. o mundo nunca mais vai te dar o mesmo, nem parecido, nem próximo. e lá você segue, sozinho, com o passo no ritmo do teu cachorro, para não parecer tanta dor. em frente, com o peito extravazado, pensando no passado. que lástima. que saudade. o mundo perdeu uma boa oportunidade de dar um amor certo. e por quê? a vida segue. no ritmo de cavalgada. os outros casam, descasam. enquanto caso com a poesia, de novo, para não me perder, para não me dar. passo falso, este já foi dado. e por quê? a vida segue.