domingo, 17 de julho de 2011

eu seria a sua vertigem. crescente, um tornado; da natureza extrai. ataco instintivamente um animal que não me ameaça. é o instinto. porque eu quero, eu gostaria. eu teria que. o astor se desvencilha da coleira. cegamente se mistura a outro animal. o meu instinto deve intervir. mas o meu instinto também é ele, assim embuído de cólera, sem guia, sem coleira, sem freio. caninamente ataco no meio da rua, a luz do dia, com os donos educados cumprimentando-se polidamente. o astor recua e me obedece. ele não sabe a que ânima atender, então cede. o outro cão não reage. somos dois animais, eu e o astor, a brigar com o mundo com a nossa raiva incontida e inexplicável.

Um comentário:

roberto alencar disse...

Um cotidiano simples, cheio de sim(s) e não(s). E o que seria da vida se não fosse assim? Afirmação, negação e dúvida. Esntão não é tão simples assim! E não falamos da solidão, com sua chegada silênciosa. O tédio, a desilusão, a depressão. Mas pensemos sempre na adjutória da esperança.