domingo, 17 de julho de 2011

porque o amor pode ser totalmente cego, como pode ser totalmente cru. com um vestidinho xadrez, num silêncio vespertino que repercute na temperatura do final de tarde. sol de dia, de repente um frio sepulcral obriga-me a esquentar a água para fazer um chá de hortelã natural. uma música que começa triste e termina apoteótica, daquelas que dão vontade de correr, de pegar uma estrada, fugir do mundo para não se encontrar. nunca mais, a estrada nunca mais será a mesma. que daria de mim dizer que te amo e que sofro de perder-te? vespertinamente a temperatura cai. um frio entra pelas frestas do meu vestido, o meu pescoço endurece. a minha nuca. seria feliz com o seu beijo. o amor pode ser totalmente cru. pode ser uma lâmina, um gilette fino a estratificar a pele em linhas de sangue simétricas. pode ser uma abelha a zumbizar de agudezas o espírito. daquelas que atormentam até a morte, até o vergão furar a pele. agulha-lâmina, sóbria, vertiginosa, insistente, gradual, impoluta.

3 comentários:

Silvia Regina Angerami Rodrigues disse...

achei seu blog! amei.

Paula Corrêa disse...

que bom!

roberto alencar disse...

Já é fim de tarde,
passa da hora,
mas não passou completamente,
ainda há luz,
não com todo ardor como outrora,
mas ainda dá para ver
o não saber se é para começar
ou terminar o que já é incompleto desde o início. A noite vai chegar.