poesia do pessoa para aliviar a dor (do guardador de rebanhos, um de meus poemas favoritos na vida):
Como um grande borrão de fogo sujo O sol posto demora-se nas nuvens que ficam. Vem um silvo vago de longe na tarde muito calma. Deve ser dum comboi longínquo.
Neste momento vem-me uma vaga saudade E um vago desejo plácido Que aparece e desaparece.
Também às vezes, à flor dos ribeiros, Formam-se bolhas na água Que nascem e se desmancham E não têm sentido nenhum Salvo serem bolhas de água Que nascem e se desmancham.
O próprio? É o tempo, ele mesmo... Engenhoso mágico que não pode sair de tudo que existe, nem tudo o que existe pode sair dele. Pelo menos permite aos outros seres a oportunidade de procurarem um jeito de sobreviver, de olharem as suas sombras passarem. Muitos ingênuos incondicionais não conseguem aproveitar a oportunidade para desmanchar suas tatuagens hipócritas, cortar seus sonhos medíocres, afinar seus sentimentos grosseiros. É ele mesmo, o próprio... Que arrebata, desmonta e monta novamente (e quase ninguém sabe) ele deseja que todas as coisas se tornem eternamente novas, como ele. E desmonta e monta, e desmonta e monta. Um mágico ainda não consciente do tamanho das limitações existenciais humanas.
2 comentários:
poesia do pessoa para aliviar a dor (do guardador de rebanhos, um de meus poemas favoritos na vida):
Como um grande borrão de fogo sujo
O sol posto demora-se nas nuvens que ficam.
Vem um silvo vago de longe na tarde muito calma.
Deve ser dum comboi longínquo.
Neste momento vem-me uma vaga saudade
E um vago desejo plácido
Que aparece e desaparece.
Também às vezes, à flor dos ribeiros,
Formam-se bolhas na água
Que nascem e se desmancham
E não têm sentido nenhum
Salvo serem bolhas de água
Que nascem e se desmancham.
O próprio?
É o tempo, ele mesmo...
Engenhoso mágico que não pode sair de tudo que existe, nem tudo o que existe pode sair dele.
Pelo menos permite aos outros seres a oportunidade de procurarem um jeito de sobreviver, de olharem as suas sombras passarem.
Muitos ingênuos incondicionais não conseguem aproveitar a oportunidade para desmanchar suas tatuagens hipócritas, cortar seus sonhos medíocres, afinar seus sentimentos grosseiros.
É ele mesmo, o próprio...
Que arrebata, desmonta e monta novamente (e quase ninguém sabe) ele deseja que todas as coisas se tornem eternamente novas, como ele.
E desmonta e monta, e desmonta e monta. Um mágico ainda não consciente do tamanho das limitações existenciais humanas.
Postar um comentário