terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

é o próprio
ele mesmo, aquele que arrebata
infindo e depois desmonta
e monta novamente
eternamente novo e pronto
para desmontar

2 comentários:

Paula Corrêa disse...

poesia do pessoa para aliviar a dor (do guardador de rebanhos, um de meus poemas favoritos na vida):

Como um grande borrão de fogo sujo
O sol posto demora-se nas nuvens que ficam.
Vem um silvo vago de longe na tarde muito calma.
Deve ser dum comboi longínquo.

Neste momento vem-me uma vaga saudade
E um vago desejo plácido
Que aparece e desaparece.

Também às vezes, à flor dos ribeiros,
Formam-se bolhas na água
Que nascem e se desmancham
E não têm sentido nenhum
Salvo serem bolhas de água
Que nascem e se desmancham.

roberto alencar disse...

O próprio?
É o tempo, ele mesmo...
Engenhoso mágico que não pode sair de tudo que existe, nem tudo o que existe pode sair dele.
Pelo menos permite aos outros seres a oportunidade de procurarem um jeito de sobreviver, de olharem as suas sombras passarem.
Muitos ingênuos incondicionais não conseguem aproveitar a oportunidade para desmanchar suas tatuagens hipócritas, cortar seus sonhos medíocres, afinar seus sentimentos grosseiros.
É ele mesmo, o próprio...
Que arrebata, desmonta e monta novamente (e quase ninguém sabe) ele deseja que todas as coisas se tornem eternamente novas, como ele.
E desmonta e monta, e desmonta e monta. Um mágico ainda não consciente do tamanho das limitações existenciais humanas.