sábado, 3 de janeiro de 2009

Do zelador ao maestro

São poucas as pessoas que sabem receber. Abrir suas casas e deixar os convidados à vontade. Muitas vezes o que acontece em algumas rodas é uma espontaneidade plástica, com todos fingindo falar o que vem à cabeça mas ao mesmo tempo estão se observando e esperando uma falha de conduta. Falam o que convier à roda, uma frase previamente aprovada ou uma piada anteriormente testada. E em geral, juntam-se pessoas parecidas, da mesma classe social, para não dar atrito e não haver aquelas famosas indiretas de ricos contra pobres e vice-versa. Porque um adora tirar sarro do outro, é uma forma de vingança branca, ou seria uma invejinha bem controlada?
É raro um ambiente estar realmente misturado e despretensioso. Porque isso não depende de uma produção caprichada ou da intenção prévia e bem elaborada de misturar tribos e sim de uma disposição mais humana e filial.
De pés descalços, o anfitrião da virada do ano estava vestido com a camiseta do seu time preferido. Mas não era um torcedor qualquer, tinha seu nome inscrito nas costas. Tem o rosto facilmente reconhecido, provavelmente muitas donas de casa o abordam no supermercado para expressar sua simpatia. Olhando de longe, eram todos conhecidos e não tinham diferenças. Sua filha, admirada, diz: meu pai é um sujeito incrível. Olhe aquelas pessoas ali, de longe você faz idéia que se trata do zelador do prédio conversando com um dos maestros mais importantes do mundo? E estavam todos ali, dando risadas, fazendo piada e falando sobre qualquer-assunto. Sem nome-sobrenome, sem perguntar onde-trabalha-o-que-faz-da-vida, sem pompa e circunstância. Fomos embora com a sensação que o ano novo chega com simplicidade e delicadeza.

2 comentários:

Unknown disse...

Paula,
fiquei emocionada ao ler este post. Fico muito feliz que tenham gostado e que você consiga traduzir com tanta poesia uma situação que mal consegui perceber! muito obrigada!
bjks
Ana C.

fabio_ disse...

Tão bom quando é "um monte de pessoas e só".