"É a raiva e o sexo". Sentada na cadeira com as pernas cruzadas e o cigarro na mão esquerda, é assim que ela responde o que a move. Imediatamente meus olhos procuram uma visão confortante que me tire do transtorno da resposta. Encontro meu cachorro roendo um osso completamente absorto na função e ali me instalo até absorver a fala. A perturbação continua. É o olhar talvez. O silêncio. A expressão: linda, cenho tenso, o ar blasé.
Nesse contexto não sei nunca sei o que revelo e o que escondo e as mulheres são as rainhas do mistério alguém fala alguma coisa. Imediatamente meu peito bufa um ar que estava preso e lentamente vejo o meu entorno ficar cada vez mais vermelho. Pego o cigarrinho que está na roda e baforo mais alguma coisa, minhas orelhas fecham os canais e fico absorta no desenho da fumaça. Não desenrolo nenhuma idéia apenas me torno um adorno flutuante no meio da sala.

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