O caderno. Ele é impublicável. O caderno tem tons e cores incomunicáveis. Não como os afetos, estes incomunicáveis. Os cadernos. Aqueles, escondidos e fechados no armário. Seja minha amiga, não quero mais ninguém porque o ar me falta para mim mesma. Eu sou insuficiente antes para mim. Não tenho cabimento em esquinas e muros, a minha circunferência é circunscrita. Não sobro mais para ninguém. A minha utilidade é inútil. Gostaria de cantar, de ter voz, algum talento aplaudido. Ou não aplaudido, mas perene. É o Astor, ele me entende. Fica ali deitado em cima do tapete colorido. Ele nem sabe, mas é um contraplano preto & branco, fica bonito pra burro. Ele não sabe e suspira fundo, suspira lá na alma, que nem eu. Inspira e às vezes fazemos o ritual juntos, que nem eu e meu anjo devemos ter alguma sintonia de vez em quando. O que será que meu anjo da guarda fica tentando me dizer? Eu fico curiosa. Eu quero. Eu quero tanto alguma coisa. Não tem espaço para mais querer outra coisa. Pois eu só tenho essa coisa de querer. Com uma coisa só. E essa coisa é escrever. Caramba. Eu preciso tanto disso. E minha cabeça dói. Eu sei que é um aviso, eu sei que é uma forma de me lembrarem disso. Os índios, os espíritos aqueles moicanos que trabalham na floresta. Eu não tenho luz. Sou guiada pela palavra. E ela resume tudo.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário