É no estupor que presencio a vida. Não tem o barulho da platéia para me distrair. Uma música de fundo toca só na minha cabeça. É vertiginoso. Não existe um ponto e vírgula para respirar um segundo ou dois a mais. Não sou muito prudente, nem eficiente. O ruído da rua é parte do sonho de que estou viva, de que a minha casa faz parte de uma cidade com um nome. Desde pequena nasci séria, as minhas rugas são de quem pensa mais do que sente. Há uma sutura invisível onde ninguém toca, e alguém já bateu nesta porta. Talvez um dia eu libere esta entrada. Talvez somente quando eu esteja na piscina no mergulho diário da minha inconsciência, ali seja o único lugar onde deixe o meu corpo não pensar. Eu penso sobre os telhados, as estantes de livros analiso cada parte que está à vista no mundo e um dia quando estou louca quando tomo as minhas cervejas, junto as imagens na minha cabeça enquanto ouço alguém falar. Sim, porque eu pouco falo e geralmente causo incômodo nos interlocutores. Em geral procuro pessoas que sejam falantes e arranjem assunto para preencherem o meu vazio verbal, a minha lacuna anti-verborrágica. Geralmente estou numa espécie de transe íntimo que não me deixa falar. O Astor saberia explicar isso melhor do que eu. Nos entendemos nas nossas pausas. Talvez eu seja um cachorro nascido de um devir gente.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
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3 comentários:
pau-pau-la-ti-na-men-te...
ah... por isso que vc gosta do "japa quer falar!' neh! E eu do teu silêncio, que me acalma e dis muito também. Mas isso quando vc não ta falando... porque ultimamente andas até falante, quando eu te deixo falar... Mas entendi a parada do transe, loco. Cachorro nascido de um devir gente é genial!
eeee até no blog a japinha tá falando!!!
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