segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Eu não sabia até então. Era tudo não-delineado, como quase tudo. Muito não-delineado quer dizer qualquer coisa. Quer dizer te ligo amanhã, quer dizer vamos fazer algo no fim de semana, quer dizer eu te amo mas eu não te quero. O contorno vem. Após muitas batidas repentinas em esquinas desavisadas. Após devaneios em que a realidade nunca se acomoda, nunca respira com um minuto de contentamento. O contorno vem depois que se aprende a segurar as rédeas desenfreadas do desejo. Enquanto era tudo não-delineado, eu escrevia. Agora que tudo se delineia, as linhas se formam e eu vivo.

2 comentários:

Fe Blasé disse...

um viva pro seu calotas de papel, que hoje faz 2 anos!

Paula Corrêa disse...

ótima memória, Fe! obrigada. bjs