domingo, 4 de abril de 2010

eu sou poeta. E assim serei sempre. Tenho tantas tristezas que não ouso contar. Uma vez mais me perdi como sempre estou. Nada me guia; somente o desejo. Não de ter. De sentir-me do outro lado, atravessando uma fronteira e entrando na outra, devagarinho e de soslaio (com um sorriso pequeno nos lábios). Vendo a vida um pouco mais esgarçada. Um pouco mais no meu limite. E é como se o vento batesse e pulsasse o mundo em mim.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

o Astor brinca. a manta me cobre do frio. não tenho mais frio de alguém. estou preenchida de mim. a minha casa é o lugar mais confortável do mundo.

segunda-feira, 29 de março de 2010

refaz a trilha. desocupa os objetos. é inútil caminhar errado.

sexta-feira, 26 de março de 2010

a minha tristeza é peninsular.
é longínquo e puro. suave nas extremidades. soluço. o astor também soluça. eu tenho falta de sono. e fico longínqua. não queria nada além. nem ninguém. começo a existir nos detalhes.

quarta-feira, 17 de março de 2010

só tenho um coração. deveras confuso. melhor deixá-lo de lado, batendo baixinho, como quando estamos dormindo.

domingo, 14 de março de 2010

Hoje acordei disposta. Inteiramente viva. Ouvi Maria Callas e assim foi possível esperançar-me de algo novo. A música permanece em mim e mantem este frescor. Pois frescor é o que vou sentindo. Como uma eterna manhã, não apenas triste; brisa fresca é o nascimento de um sentimento novo. O Astor cuida de mim, já que sou só. Passeia comigo nas praças e traz a bolinha. Seja a hora que for, dá um chacoalhão até a ponta do rabo e está pronto. E estou assim junto com ele. Não é somente ele que me tira da cama. Nunca antes a manhã me animou tanto a viver. Quero acordar tão mais cedo quanto puder para me sentir viva. Quanto antes, melhor. Bom dia, estou viva, celebro. Um deus frescor me exalta.