Acabou a guarnição.
Tirei o marcapasso. Sentirei minha carne pulsar.
Prefiro o não. A sua inexatidão me faz esperar demais.
Também não sofro mais, sabe. Acontece assim.
Meu coração bate pouco mas é dele fraco que eu preciso.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
é tudo um descabimento
formas invisíveis de não-luz
boeiros destampados e honrarias esquecidas
a vida marca com lâmina e aguardente
não estudo mais suas formas
a geometria é previsivelmente pontiaguda
firme no seu propósito de romper
castigar
as cicatrizes suturam pelos ralos
e descem esgoto afora
desafogando-se
iluminando existência adentro
formas invisíveis de não-luz
boeiros destampados e honrarias esquecidas
a vida marca com lâmina e aguardente
não estudo mais suas formas
a geometria é previsivelmente pontiaguda
firme no seu propósito de romper
castigar
as cicatrizes suturam pelos ralos
e descem esgoto afora
desafogando-se
iluminando existência adentro
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Ando completamente perdida.
Só não consigo me dizer 'estou perdida' porque isso em si seria um achado.
(Pelo menos de dentro das palavras).
O assombramento e a desilusão me tomaram o espírito por completo.
Eu deixo as coisas acontecerem - as boas, as ruins - simplesmente porque não tenho coragem de interferir nos rios que me correm a existência.
Posso andar apaixonada ou absolutamente enlutada e isso é tudo o que minhas veias mal conseguem suportar.
A explosão e a demolição andam juntas e minhas vértebras quase retas expressam o meu bipedismo e não a minha capacidade de estar de pé.
E já faz tempo que meu coração veste este sobretudo preto e que um corvo anda pousado sobre meus ombros.
A ninfa da morte sopra nos meus ouvidos e eu repito a sua cantoria esquecendo as palavras. Ninguém me ouve porque não há o que ouvir e eu fico com uma cara de espanto que é aquela mesma de quando me vejo a um passo do abismo.
O abismo, agora, está a um passo para dentro e eu me jogo nele (uso os trampolins da minha infância) - porque na minha cabeça as imagens todas se misturam num jogo de espelhos (vida e morte, passado e futuro) tá tudo misturado, meu amor.
Um passarinho canta e essa é a única coisa que me acredita. Verto um copo de vinho e um redemoinho se abre no meu peito. O universo se expurga em mim.
Só não consigo me dizer 'estou perdida' porque isso em si seria um achado.
(Pelo menos de dentro das palavras).
O assombramento e a desilusão me tomaram o espírito por completo.
Eu deixo as coisas acontecerem - as boas, as ruins - simplesmente porque não tenho coragem de interferir nos rios que me correm a existência.
Posso andar apaixonada ou absolutamente enlutada e isso é tudo o que minhas veias mal conseguem suportar.
A explosão e a demolição andam juntas e minhas vértebras quase retas expressam o meu bipedismo e não a minha capacidade de estar de pé.
E já faz tempo que meu coração veste este sobretudo preto e que um corvo anda pousado sobre meus ombros.
A ninfa da morte sopra nos meus ouvidos e eu repito a sua cantoria esquecendo as palavras. Ninguém me ouve porque não há o que ouvir e eu fico com uma cara de espanto que é aquela mesma de quando me vejo a um passo do abismo.
O abismo, agora, está a um passo para dentro e eu me jogo nele (uso os trampolins da minha infância) - porque na minha cabeça as imagens todas se misturam num jogo de espelhos (vida e morte, passado e futuro) tá tudo misturado, meu amor.
Um passarinho canta e essa é a única coisa que me acredita. Verto um copo de vinho e um redemoinho se abre no meu peito. O universo se expurga em mim.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
grito surdo
ponte para o nada/mergulho profundo
(vácuo tem som?)
não sonho mais nada
não aceito curativos
as asas dos passarinhos
fazem um barulho insuportável
(vácuo tem som?)
não sonho mais nada
não aceito curativos
as asas dos passarinhos
fazem um barulho insuportável
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