quarta-feira, 12 de junho de 2013

Mês de junho. Faz seis anos que me lembro do mês de junho. Esse mês definitivo. Nada continua adiantando. Só amar as pessoas. Amar a troco de nada. Sem ponto, sem nó. Um abraço de saudades continua eterno.
De antigamente, só tenho uma visão turva. De salas grandes onde fazíamos guerra de almofadas. De uma escada comprida e por cima colocávamos um colchão para podermos deslizar. De uma jabuticabeira do quintal de onde tirávamos os frutos para sujar a parede do vizinho. Mesmo turvo, antigamente eram quintais e nós todos juntos, aprontando. Bobagens de criança, de roubar correspondência dos vizinhos, tocar a campainha e sair correndo. Sentíamos que quase poderiam nos prender, tão grave eram nossas infrações. Nas fotos, eu sempre pouco sorri. Continuo assim. Só que sem brincar.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Segunda-feira eu serei outra pessoa. Acordarei feliz. O dia amanhecerá claro e próximo. Não distante, como tem amanhecido. Soltarei uma risada bem alta ao acordar. Os vizinhos estranharão a minha falta de silêncio. Não te prometo nada, mas nesse dia o amanhecer, pelo menos um.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Um nó indissolúvel. Um nó distendido. Assim a sua maneira, derrete geleiras, mata no ferro, derruba prédios e escreve no jornal seus números. De quem acelera no lugar errado, sempre. E continua. E continua. A desatenção nos protege, basta para mais um pouco. Mas pode ser uma morte.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Eu teria ido junto com você, não fosse o barulho da cidade a me atrapalhar os sentidos. Teria mergulhado nesse lugar escuro e sombrio por onde a minha cabeça tanto andou sem você. Não é para viver. É para aguentar. Suportar. Esses barulhos, de obras, de carros, de gente falando alto, não é que me distraem. Esses barulhos me dizem o que você está fazendo aqui? A resposta parece me convencer cada vez menos. Parece não me convencer. Parece me dizer: vá.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Não é no frio, nem numa sopa com vinho nesse tempo outonal. Não é numa poça d´água que reflete o céu azul e o sol, fingindo não estar poluído nem jorrando caminhões pelos ventos. Não é numa rede, balançando com impulso preguiçoso quando a manhã nasce. O estado a que me refiro não está em nenhuma dessas ilusões de ótica instauradas pela busca de um mundo perfeito. Eu não tenho mais corações brilhantes nem estrelinhas prateadas pulsando nos meus olhos. Minha visão tampouco é turva, nem míope. Ela está ali, dedicada em você. Pousa sobre sua sobrancelha. Sobre um delicado porvir que confabulamos em suspiros distantes. Não é uma luta, nem por convencimento, nem por estar assim. Pousa, delicadamente, e vê um brilho logo ali. O Astor suspira, conosco.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Eu te amo desde sempre. Não deveria ter mais ou menos de mim. Somente um. Amor. Durável, não-comedido, vazado, escorrido, sem têmperas. Amor sem têmperas, desordenado, com um grito elevado. Não uma dama, uma louca sem divindade. Eu te amo desde sempre. Sua força todos os dias. Seu silêncio todos os dias. Seu delírio diário. Assim, amado. Como um rio desavisado que cai, em cataratas. A sua nuvem de águas me banha o juízo, amor. Desde sempre eu respiro, no seu ouvido te digo.