sábado, 16 de fevereiro de 2008

O Floco e a Asia

Poderia dizer que estou encantada por ele. Que seu caráter jovial renovou meu espírito. Passaria horas observando suas brincadeiras e seus olhos azuis infantis. Sei que ele já tem medo de mim e das minhas broncas, não gosto de gato subindo na mesa das refeições e nem na pia lambendo a torneira para tomar um pouco d'água. E ele sempre faz uma cara de partir o coração mas eu tenho que levar adiante a ordem para não deseducá-lo.
Os gatos são muito mais velozes do que os cachorros para entender as coisas. No primeiro dia, o Floquinho já aprendeu onde deveria fazer suas necessidades. Estava extremamente magro e mal cuidado, dava medo de fazer movimentos muito rápidos e mesmo um carinho mais pesado poderia derrubá-lo. Comia feito um desgraçado, como ainda faz até hoje, fica desesperado quando acaba a comida. Quando rodeio seu pratinho azul, ele fica dando voltas e miando alucinadamente até que eu retorne com sua comida posta. Não dá nem tempo de gritar "a comida está na mesa, crianças!", que ele, ofegante, já iniciou a comilança. É um morto de fome!
Muito diferente da Asia, a fêmea da casa, delicada e muito fina, que sabe dimensionar a quantidade de comida para o dia todo.
É muito evidente, numa olhadela desatenta, a diferença de gêneros dos bichinhos. Ele senta de pernas abertas e ela de pernas fechadas. A casa inteira nota quando ele solta o verbo na piscininha de areia e a Asia é pura discrição nas suas privacidades. Ele é o próprio machinho, não gosta muito de carinho e ela gosta de brincar com ele, mas gosta mais ainda de terminar o rala-e-rola com uma poderosa limpeza no final. Sim, é ela quem faz o lambe lambe nele para os seus pêlos brancos não darem pinta de sujeira.
A sua sem-cerimônia é tão grande que quase perdi todo esse texto depois da sua subida espontânea no teclado. A sorte foi que ele, com suas patinhas rosas, apertou as teclas certas e publicou o texto antes mesmo de eu terminá-lo. Acho que ele quer atenção!

2 comentários:

roberto alencar disse...

LENTES COR-DE-ROSA

Meus paradigmas, minhas teorias. Como a de Darwin sobre a evolução. As minhas idéias, sem pé e sem cabeça, que procuram explicar o funcionamento de algum objeto.
Texto, aprovo, nego, apoio, contesto. Explicações e reflexões. Conjuntos de premissas implícitas essencialmente inconscientes, parte do meu modus operandi como indivíduo.
Tento entender o mundo.
Tento entender as coisas.
Tento entender os bichos.
Como se eu estivesse o tempo todo usando as conhecidas lentes cor-de-rosa.

Anônimo disse...

Bicho é uma delícia, mesmo quando é mala. Quando penso nos que viveram comigo, dou um sorriso interior.