Um susto fantasmagórico.
"É o gasparzinho", diria minha mãe.
- Não tenho medo desse monstro infantil, eu diria racionalmente, mas de noite até poeira tem forma e tudo se forma em desenhos de paúra trágica.
Não existe ninguém ao redor e a sua vida é uma geleira branca envolta com rios que não correm porque duros. Um surto psicótico de medo grave tomaria conta do meu corpo, ai se eu não tivesse o placebo azul pra me salvar. Põe uma musiquinha pra me tomar de coragem, um rock alto e pesado que dá sangue nas ventas e reanima os meus zumbis. O armário guarda o fantasma de volta junto com minhas roupas empoeiradas.
Sonho de novo com o gasparzinho. Ele oferece um copo de vinho tinto. Inverte a taça, quase me engole o vinho com cara de monstro. "Maldito!". Minha jugular tem uma marca - a morfina que tomei um dia, "eu sei o que é isso", então afio as unhas e verto sangue tinto da sua veia principal. "É um sonho", reclama a minha cabeça. Mas ela, a cabeça, não inverte o placar e continuo firme. 1x 0 pra mim.

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