quarta-feira, 30 de abril de 2008

madrugada sonâmbula (encontro num parêntese)

Não saberia dizer como começou, a que horas ou de que forma despertei. Fato é que quando me dei conta estava na sala dizendo que deveria ligar para minha mãe. "Ela deve ter me ligado umas mil vezes", disse. Não tinha um interlocutor ou mesmo alguém que eu soubesse que me escutava. A minha preocupação era que minha mãe não sabia onde eu estava, o celular estava na bolsa e ela possivelmente me chamou muito e não conseguiu me achar. O meu desespero aumentou quando ouvi uma voz. Eu não estava em casa. No escuro, fiquei perdida por alguns minutos no limbo da minha consciência, num vazio incompreensível, um buraco negro burlesco que me levou até a cama de volta, onde deitei encolhida. "Perguntei algo de minha mãe?". "Sim", disse uma voz. Em camadas recobrei parte de mim. Ela morreu. A frase golpeou meu estômago vazio. Não tive uma convulsão de choro porque a outra parte de mim ficou lá na sala, tentando usar o telefone para ligar de volta para ela.

2 comentários:

roberto alencar disse...

Resignado com os revezes da vida, não chego a ser um regenerado, mas pelo menos, deixo de ser um revoltado e vivo como conformado.
Meu remédio não consiste em um ato transitório, mas numa atitude permanente de ser humano.
Assumo uma atitude de verdade e compreensão sobre mim mesmo, harmonizo minha vida com essa consciência e encontro o consolo glorioso.
Mas se confundo o meu ego periférico com o meu EU central, padeço e não tolero o sofrimento.

Anônimo disse...

Paula, voce e foda. Muito. Teus textos me doem tambem.