sábado, 19 de julho de 2008

Mato

Amanheço riacho. Corro rocha abaixo e encontro meus pés. Os fios de cabelo tornam-se cascata jorram pensamentos desviam das pedrinhas prateadas. As pedrinhas, elas também ficam douradas. A pinguinha esquenta encharca as células - sim, eu estava esbranquiçada e pálida e cheia de agruras - mas as pedrinhas a pinguinha um novo ar me renovaram o espírito.

4 comentários:

Anônimo disse...

Paula, como escrever sem ser confessional? Nunca consegui. Por conta disso, admiro profundamente os ficcionistas.

Paula Corrêa disse...

O que tenho conseguido fazer, Aninha, é alargar o confessional - fazer do real um elástico e na criação eu puxo até onde quiser. Mas eu também tenho grande admiração (e um pouco de inveja) dos ficcionistas porque eu adoraria ser conduzida e invadida por personagens.

Anônimo disse...

Bicho do Mato
(Fernanda Porto)

Hoje eu tô bicho do mato
Quero ficar só
Meu tempo o tempo todo
Sigo cada passo devagar
Sandália de dedo
Telefone que não toque
Tenho alguma coisa para dizer, mas hoje não...
Som que escuto é silêncio bom
Saudade de cada canto da sala
Porta fechada
Mundo de fora trancado aqui dentro
Você não vai entender
Você vai duvidar
Mas é só isso
Hoje eu só quero ficar só
Fone de ouvido na cabeça
Milhões de coisas para pensar
Quarto quadrado, caneta e papel na mesa
Tudo me esperando
Nesse silêncio escuto tudo
Cada virada de página
Vento batendo na janela
Amor de vizinho, escuto tudo
Não sei quanto tempo mais fico por aqui
Não me sinto só, estou bem acompanhada
Espero a hora
Vem me buscar
Vem me lembrar que tudo volta

Anônimo disse...

coisa linda isso de 'amanheço riacho' e 'corro rocha abaixo'.