Pode ser uma maneira de , como se diz, limpar a cabeça ou mesmo fingir que não estou ali. Um de meus prazeres secretos mais recorrentes é o de olhar o nada. Pode ser a parede, o chão, o tapete ou o meu cachorro. Na verdade, o cachorro, o tapete, o chão e a parede não são nadas, são de fato objetos, um deles animado os outros sem vida, porém com suas cores e texturas bem definidas. De forma que olhá-los representa encontrar neles uma celebração do presente ou mesmo da concretude. Considerando que minha fé foi para o ralo há algum tempo, essas coisas se tornam a minha alternativa a um momento, muito comum por aí, de parar a vida para rezar ou mesmo para ter bons pensamentos. Eu quase não tenho pensamentos. Penso muito de vez em quando e, em geral, isso acontece quando não percebo. Mas quando estou olhando o nada fico absorta nisso, me esqueço, quase esqueço quem eu sou. Talvez o que de fato seja um dos meus maiores prazeres seja - agora me dou conta - esquecer quem eu sou.
sábado, 25 de outubro de 2008
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2 comentários:
Paula,
Às vezes nos pegamos dando importância àquelas coisas que ninguém liga muito, coisas do lugar comum. Outras vezes, vamos até mais além e nos chega uma velada convicção de que é na “insignificância” que a verdade se esconde.
E vem, paradoxalmente, uma necessidade de desnudar-se, deixar de ouvir, deixar de enxergar, correr na direção da indiferença, do anti-mundo.
Paula,
Às vezes nos pegamos dando importância àquelas coisas que ninguém liga muito, coisas do lugar comum. Outras vezes, vamos até mais além e nos chega uma velada convicção de que é na “insignificância” que a verdade se esconde.
E vem, paradoxalmente, uma necessidade de desnudar-se, deixar de ouvir, deixar de enxergar, correr na direção da indiferença, do anti-mundo.
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