Estou tentando não ser um eco burro. É tão pungente que o eco ressoa quinquilharias, móveis usados e eu não quero mais cuidar de ninguém. Já dei minha cota de doação exasperada. Fiz o meu dever na carne e ela saiu suspensa (louvada seja!) e voltou para a terra. Eu me putrefiz ao me enterrar uma parte. E subir aos céus não é bem uma prática fácil para quem tem o peso como medida. Então fico aqui, tentando manter uma rotina com o meu cachorro. Ele fica carente quando não apareço. É ao mesmo tempo gostoso e insuportável saber quem tem algo que depende de você. E daí ele fica com a empregada e eu fico com ciúme. Ciúme do meu próprio cachorro. Só posso ser bestinha. Mas eu fico. E daí tento manter uma rotina com ele. Então é ele quem está me educando, ou melhor, adestrando meu ímpeto de nunca ser.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
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2 comentários:
É bom se deixar amar da maneira desprendida de um bicho.
(também gostei muito dos escritos. vou voltar e ler mais!)
Paula,
Quando finalmente encontramos a floração da vida, percebemos que sob cada flor há uma serpente enrolada.
Não podemos deixar nossas mentes se enganarem, tomar os fogos da luxúria.
Os sábios não se detêm no terreno do prazer dos sentidos, não dão ouvidos às vozes da insanidade.
Temos que ter a competência necessária para nos despirmos da negra vestimenta de ilusão.
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