quarta-feira, 22 de julho de 2009

algo que me salve do afogamento iminente, da tortura diária, da vertigem sem consolo e dos afetos enviesados -
que sobrelute nas ruínas perdidas do meu passado demolido - um vento que leve toda e qualquer poeira antiga a vertigem que sinto do começo ao fim do acordar ao dormir e enfim quando durmo esqueço mas ao acordar um incômodo me invade e nem me lembro dos meus sonhos que às vezes são bons mas eles, eles não me deixam dormir novamente e tenho espasmos enquanto na vigíla tento me lembrar qual era o nome que eu queria lembrar da onde vim onde nasci quem são meus pais como era o cheiro da minha mãe que sempre me fazia dormir como um anjo e ela, ela não está mais aqui respiro fundo para tentar lembrar uma vez mais a textura da comida que ela fazia que sempre estava boa ela punha tanto amor ali que eram garfadas que levavam a minha vida adiante e hoje em dia eu ouço músicas tristes e são elas que levam minha vida adiante que triste panorama eu já fui melhor e mesmo nesse mínimo nessa luta medíocre já se vão todas as minhas células esbaforidas e cheias de olheiras num esforço de sobrevivência que jamais cessa