quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Foi um sonho.
Eles deliram a gente. Demolem prédios, conduzem esquinas, torpores.
O sonho. Foi ele que me tropeçou. Ou me atropelou.
Porque o inconsciente não erra. Sonhar que se morre é também uma morte. Mesmo que se negue. Mas o sonho, este, não dava (para negar).
Absoluto, ele me disse: o seu prédio; você precisa demoli-lo.
E cá estou com as ruínas demolidas. E não devo tentar remontá-las.
Seria um delírio encaixá-las. Gastaria, com isso, baldes de colas, de rejuntes quetais.
E não seria estético, porque isso também impera. Então o que fazer? Dou um gole de vinho e respiro.
Não há o que fazer com pedaços (não quero jogar em ninguém, nem atirar nem devolver nem doar). Posso continuar quebrando, quebrando, diminuindo sua circunferência, implodindo ainda mais em pedacinhos que vão se tornar pó. Posso juntá-los em categorias (virginiana, que tal?) dar ordem e etiquetá-los com nomes ora objetivos, ora poéticos. Este pode ser um bom jeito. Ou limpar, varrer, assoprar, guardar aquela pedrinha, uma que represente o todo; lembrança do que ora fui. E isto não tem a ver com nada nem ninguém que me possa ler. Estas são as minhas paredes que eu mesma demoli. Algo de bom, cá vislumbro. Algum raio de sol, por entre a poeira. Como no final de uma guerra, quando entre mortos e feridos amanhece o dia e as equipes com suas cruzes vermelhas conseguem ver o tamanho dos estragos e suturar as feridas, carregar corpos e abraçar com um sentimento indizível de afeto, aqueles que sobraram. Os iluminados, vivos, que lambem seu sangue e exaltam a vida para além de qualquer entendimento.
No ínfimo grau da minha solidão, eu assino este texto.

Um comentário:

Paula Almeida disse...

Puxa vida Paula, vc é brilhante, eu fiquei arrepaida de ler...isso por que só li dois até agora.
Sua escrita é como música (e sua formação não nega); ela desecandeia e naturalmente parce que todas as palavras se encixam. Mas o mais forte de tudo isso é que há muito sentido. e muito sentimento.fquei muto feliz de conhecer seu talento. Não pare nuncaaaaaaaaa; vc é realmete brilhante!