Hoje acordei com uma gota de sangue nos meus olhos. Dizem que não é nada. Eu não sei. Talvez eu tenha morrido no meu sonho, enquanto a médica dizia que o meu fígado parecia de uma mulher de 50 anos. Eu devo ter sofrido durante o sonho, para que meu olho estourasse uma veia deste jeito. Acordei e me assustei com o vermelho no lugar do branco do olho. Eu não devo fazer nada, ao menos na minha vida real. Está tudo bem comigo, gozo de boa saúde. A mulher do meu sonho deve ter me alertado para algo que ainda não sei o que é, mas suponho. De toda forma, queria ligar para alguém. Para algum vidente, que nem o do filme do Clint Eastwood. Alguém que me assegure que uma veia não vai estourar de repente na minha cabeça. E de repente, puff, eu paro de existir. Ninguém pode ter o dom de dizer isto. Apesar de eu ter sempre achado que viveria muito e que todas as minhas mortes eram simbólicas --e foram até agora. Talvez esta continue sendo. De toda forma, gostaria de continuar me sentindo um pouco amada, mesmo que seja somente pelo Astor.
O sino da igreja toca.
O sino da igreja toca.

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