um dia a mais a minha história recomeça. mas recomeça de um ponto conhecido; não estou aqui a navegar em águas tão turvas. as músicas ritmam a toada e sigo. sem beijos e tchaus. um dia se dá um tchau e assim por diante a vida segue sem delongas. o que é, é. o que não é, já foi. na augusta se papeia. se bebe, se vê. nas esquinas se conversa. no mundo se adianta e se emancipa a vida. empurro as minhas verdades adiante mesmo que delas não parta a certeza. o que são certezas, afinal? quimeras. são apenas quimeras onde se procuram os platôs. os platôs das certezas duram segundos, como flashes de sentimentos soltos que duram madrugadas. as madrugadas não duram, sejam acordadas sejam em pó. em pó sem remédios, devo dizer. quando estalo os olhos nas geometrias das minhas janelas, aguenta o tranco e aguarda o tempo. pega o diarinho e escreve a mão, que assim demora mais. ouve um radiohead. ouve dois radioheads. fica lá um pouco triste. tira a dúvida na régua, lança um dado, joga os búzios, os mentais, factuais, as vertigens, os pormenores, faz a rima. o astor deita aqui do meu ladinho. lá se vai mais meia hora. e lá se vão mais horas e horas. o tempo contado no mundo passa melhor que daqui da minha janela. vira a madrugada lá na rua, a perspectiva é mais relevante.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
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