Eu te amo desde sempre. Não deveria ter mais ou menos de mim. Somente um. Amor. Durável, não-comedido, vazado, escorrido, sem têmperas. Amor sem têmperas, desordenado, com um grito elevado. Não uma dama, uma louca sem divindade. Eu te amo desde sempre. Sua força todos os dias. Seu silêncio todos os dias. Seu delírio diário. Assim, amado. Como um rio desavisado que cai, em cataratas. A sua nuvem de águas me banha o juízo, amor. Desde sempre eu respiro, no seu ouvido te digo.
terça-feira, 23 de abril de 2013
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7 comentários:
Eu passei por um processo de dor muito grande ao perder meu pai. Cuidei dele por quatro anos e sei o que esse sentimento que você descreve tão bem em seu livro-coisa da qual é muito lindo, quem sabe escrever com tanta fluidez e sem sem dúvida invejável. Vi sua entrevista no Metro polis e fiquei curiosa. Acho apenas que essa dor e seu processo de doação- a sua mãe- coisa da qual eu fiz também ao meu pai- não deveria render um benefício ao outro?? Por que ganhar dinheiro com obras literárias com essa experiência- cheia de sofrimento-mas também do mais sublime amor? Por que vender esse livro e não ajudar as pessoas? Reverta todo esse amor em benefício do outro. Veja, quem sou eu para questionar sua obra que está cheia de criticas excelentes e de quem entende, eu só não entendo porque vender o livro?? por que não transformar essa dor para continuar ajundando as pessoas. Quem tem o coração como o seu precisa ver o mundo com outros olhos, como você bem mencionou em sua entrevista.
Ilzildinha, obrigada por escrever. Imagino o processo que tenha passado ao perder seu pai após cuidados de quatro anos. Acho que muitas pessoas passam por isso e tentam lidar com sua dor de algum modo. O meu modo de lidar, não somente com a dor, mas com o mundo, é escrevendo. Eu não escrevi esse livro para ganhar dinheiro. Eu escrevi esse livro como única forma de lidar com uma dor tão grande, ressignificando essa dor e tentando também criar a partir dela, e não somente alimentando raiva, revolta, arrependimentos e tristeza. Realmente não é por dinheiro que se faz isso... e quem disse que o livro não pode ajudar as outras pessoas a passar por isso? Não foi com esse intuito que eu o escrevi, mas se há algo que eu possa fazer de bom, esse algo é escrever. Ajudar as pessoas pode ser algo abstrato. Quer ajuda maior do que a doação de uma parte do seu corpo? Que ajuda pode ser maior do que essa? De todo modo, respeito a sua opinião, e me furto a entrar em discussões, mas não queria deixar de responder seu post, já que estamos no meu blog. Grande abraço, com respeito, Paula
Comprei o livro da Paula por ser uma obra de arte. E a dor, óbvio, faz parte do processo de criação. Além de receber um livro bem escrito, ganhei um incômodo na mente sobre como estaria a relação com minha mãe. Garanto à leitora que disso veio um questionamento de como eu posso aproveitar da melhor forma possível o tempo que nos resta juntas. Foi o meu "benefício". Tô tentando aproveitá-lo.
ei, Aninha, você apareceu! obrigada pelo comentário! beijos
Não perdi ninguém dá minha família, perdi um grande amor. É engraçado, o luto, a dor, a tristeza, pode ter muitas formas, por isso me identifiquei imensamente com as tuas palavras. "Doar-se" pode ter muitos significados e a sua generosidade não se esgotou no corpo, revelou- se na forma tão poética de encarar a tristeza, no ato de compartilhar essa poesia com o mundo no ato de escrever.
Seu livro me enlaçou, são tantos lutos ao longo da vida, morrer é tão subjetivo. Às vezes acho que a morte biológica é a que menos importa. Como nos manter vivos diante de uma hemorragia persistente? Eis a questão. Obrigada por escrever, por compartilhar, teu livro é curativo. Somos eternos Paulinha...
Seu livro me enlaçou, são tantos lutos ao longo da vida, morrer é tão subjetivo. Às vezes acho que a morte biológica é a que menos importa. Como nos manter vivos diante de uma hemorragia persistente? Eis a questão. Obrigada por escrever, por compartilhar, teu livro é curativo. Somos eternos Paulinha...
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