Muita coisa se perde nessa vida. Mas algumas delas a gente até gosta de perder. Ou considera necessário. Força o afogamento para ver se aparece um isopor no final para te salvar. Ou vai até as últimas consequências e no final das contas contempla o corpo morto como um amor antigo que, sim, deveria morrer, mas de toda forma você não deixou de amar.
Um clarão anuncia que já é hora. Engulo, quase sem querer, uma gota do meu próprio sangue.
ps. Ontem li num livro que os desejos de verão se tornam sementes no inverno. Bonito isso, né? É do Truman Capote, meu herói de sempre. O primeiro livro dele, Travessia de Verão, é memorável. Gostaria eu de ter essa verve com tão pouca idade.
