um certo demônio me habita
nada o contém, exceto as flores
alguém com um sorriso eterno
ou uma pureza d´alma
senão é a sujeira, o avesso, a crise, a desforra
o pó em cima do tampo da privada
a ressaca, a manhã perdida
vejo uma mulher montada na rua
ela é tão bonita
a vida dela é tão mais interessante
do que a minha, tão limpinha e virginiana
verso o desvio, louvo as noites mal dormidas
a confusão mental e a música alta
não é bem confusão mas vertigem
não existe caminho certo mas o desejo
este soberano
a minha boca pulsa
segunda-feira, 12 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
é tanta vida no mundo, que dá vontade de não viver. ninguém mais chora de emoção (nem na arte, nem no amor). as luzinhas piscam na cidade, no chão a gente pisa nas formigas. formigas? nem as encontro mais. matei todas com o spray. os anti-tudo mataram todo mundo. não ame porque está além da etiqueta. seja corriqueiro, não abrace, esteja atento ao celular e ao próximo ônibus. eu gostaria de ver alguém chorar de emoção. eu choro, mas estou sozinha, só o astor vê. talvez seja o único que entenda.
domingo, 4 de julho de 2010
a tristeza. é sempre uma espécie de brisa. vento frio que gela a alma. um desejo de recolher. juntar as células com um cobertor de mãe. ela não fala mais comigo.
a natureza, o olhar do astor, o chá que me esquenta um pouquinho. vejo na simplicidade da minha rotina uma saída para a minha dor. acordar, tomar meus florais (ânimo, equilíbrio), um suco de vegetais, assumir um trabalho que me preenche. ir à feira, dar dois passos a mais em direção a uma quadra que desconheço. sou um bicho recluso e solitário. estar só é tudo o que resta. é a saída mais elegante para a dor. para o desejo de estar no mundo.
é alguém que sorri para o astor na rua, sem nem me enxergar. uma mulher sentada no banco da praça sonhando ou esperando alguém. o guarda cochilando dentro do seu carro de sirenes.
existe razão no recolhimento. não é para voltar com a maquiagem feita e mostrar ao mundo olha o que eu aprendi! isto é para ficar. olhar o mundo daqui. meus olhos enchem de lágrimas.
a natureza, o olhar do astor, o chá que me esquenta um pouquinho. vejo na simplicidade da minha rotina uma saída para a minha dor. acordar, tomar meus florais (ânimo, equilíbrio), um suco de vegetais, assumir um trabalho que me preenche. ir à feira, dar dois passos a mais em direção a uma quadra que desconheço. sou um bicho recluso e solitário. estar só é tudo o que resta. é a saída mais elegante para a dor. para o desejo de estar no mundo.
é alguém que sorri para o astor na rua, sem nem me enxergar. uma mulher sentada no banco da praça sonhando ou esperando alguém. o guarda cochilando dentro do seu carro de sirenes.
existe razão no recolhimento. não é para voltar com a maquiagem feita e mostrar ao mundo olha o que eu aprendi! isto é para ficar. olhar o mundo daqui. meus olhos enchem de lágrimas.
um dia a mais em mim. um club de jazz onde a arte vence. discurso inflamado da atriz falando sobre a fé e o poder do erro. como em pessoa: (...) mas graças a deus que há imperfeição no mundo/ porque a imperfeição é uma cousa,/ e haver gente que erra é original (...), do meu poema preferido, o guardador de rebanhos. a arte é voluptuosa. o problema do erro é cravar uma ferida no coração alheio, quando é involuntária. mas isto é humano mais do que humando porque todos estamos sempre em alguma rota de colisão. inconsciente ou não, a potência está lá e o avião está sendo guiado. é sempre um chamado.
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