Porque temos que continuar. Temos que ser livres, e fortuitos. A segunda-feira é sempre uma lesma. Eu não consigo mais existir. As pessoas não querem mais a minha companhia. Eu não tenho mais assunto. Sou um delírio em prosa. O verso ficou na esquina, com olhos de vidro.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
O silêncio resolve tudo. Os ímpetos, os impulsos. Como saber a quais impulsos atender. Pode ser desastroso. Então eu espero. Espero passar, como a chuva de ontem. É um ímã, a sua natureza me atrai como um ímã. Eu gostaria. Então eu fico olhando a paisagem. O telhado já está secando, o vento está curto, as árvores não balançam, só bem nas pontinhas. O avião passa no fundo do quadro. Adoro que da minha janela vejo os aviões. Sempre fico muito arrepiada quando eles decolam. E andar de trem, descobri, faz emergir todos os meus desejos polidos. Polidos ou domados. O dia demora para amanhecer. Penso somente em deitar do seu lado, de olhos fechados.
domingo, 15 de janeiro de 2012
É a chuva vindo. Tudo de repente fica mais escuro. Não há nada o que fazer. Acendo a abajur e mantenho a porta entreaberta. O Astor late para os trovões. O céu fica prateado e parece que o mundo mudou de lugar. De repente as gotas prateadas começam a lavar o telhado e os flashes. Quando eu era criança achava que os raios eram alguma coisa de deus mas agora eu acho que os raios, a chuva, os trovões, o Astor são só uma coisa da natureza. Quanto mais o barulho vem, mais o Astor troveja. Acho bonito que ele fique latindo para os trovões. Não sei bem se ele está bravo ou feliz com a chuva. Ele vem aqui para dentro, sacode todo, e volta para lá.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Bailarina, a sua saudade esfumaça meus pensamentos. Tomo um chá e penso nas palavras que poderia encontrar pelo chão enquanto flutuo. São elas que quando passam pela minha pele arrepiam toda a minha superfície. Fecho os olhos e penso naquela música que me lembra você. Eu não saltito não tenho precisão me sinto como se tivesse asas e te levasse junto sem te tocar. No meu sonho eu te conduzo sem te tocar. Vamos juntas como de olhos fechados porque vamos juntas flutuamos sem pensar. Fecho os olhos quando danço. Você quando dança é como uma Vitória de Samotrácia prestes a alçar voo ali no alto da escadaria. O meu olhar, poeta, ali tão reles. Minha única alternativa para te alcançar é flutuar nos meus pensamentos. Preparo um drink para me distrair um pouquinho.
Foi numa lojinha de Paris, aquelas de souvenirs--eu procurava alguma coisa para você-- quando começou a tocar aquela música antiga que hoje está fora de moda mas naquele momento fez um sentido quando a cantora disse so baby talk to me e no meio daquelas xícaras e mini torres eiffel eu pensei em virar e simplesmente te encontrar ali na frente do Pompidou. Eu ficaria certamente bastante tempo te acompanhando te olhando de longe e a minha vontade seria de te dar um beijo no meio daquele páteo como num filme mudo quando os barulhos da cidade se calam e as luzes ficam baixas até sua boca terminar em mim.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Vamos inaugurar o ano. Com um dedinho de delírio, que sabemos, é sempre bom. Com um pouquinho de Berlim, com o meu casaco sujo de bebida no chão. Uma vodka alheia que permaneceu até ontem, quando o coloquei na máquina de lavar. Eu gosto de vestígios. De Paris o sacolejo do metrô com seus pretos, árabes e orientais e todos falam aquela língua mas ninguém é de lá e todos são de lá. De Praga, que dizer. É onde se deve fazer amor.
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