Ela, então, enxerga. A poesia está no vento. Ela enxerga o vento. Não nas folhas, mas no próprio vento. No ar mesmo, com suas mini-partículas brilhantes. As ventuinhas que arrefecem os calores solares que debaixo das saias rompem em leques trêmulos e coloridos. Ela com calor e ansiosa, com calor e ansiosa. O vestido colorido brilha. O vestido florido balança. Ela, então, enxerga. O vento a irrompe ao meio, o vento a invade dolente. O vento é invisível e ela fecha os olhos. Fecha os olhos e puxa seu vestido para o meio. Fecha os olhos e puxa o vento para dentro.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
domingo, 10 de março de 2013
Amigos,
É com muito prazer que anuncio o lançamento do meu novo livro Tudo o que mãe diz é sagrado, pela editora LeYa, dia 22 de março, sexta-feira. O evento será na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, das 19h às 22h.
Espero todos lá, será um prazer vê-los!
Ouçam dois trechos do livro musicados pelo maestro Jaime Alem, narrados por mim, com a linda voz de Nair Cândia.
É com muito prazer que anuncio o lançamento do meu novo livro Tudo o que mãe diz é sagrado, pela editora LeYa, dia 22 de março, sexta-feira. O evento será na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, das 19h às 22h.
Espero todos lá, será um prazer vê-los!
quinta-feira, 7 de março de 2013
Para realizar um sonho. Chame o dedetizador, a faxineira, o pedreiro e o contador. O Astor irá participar também. A campainha está quebrada. Então se o seu sonho chegar, você não será avisada. O Astor gosta de morder o aspirador de pó. Ele também gosta de brincar com o rodo. Devemos ser algo parecidos. Meu irmão vem da Alemanha. Se eu quero um iPad? Traz um pretzel, por favor. O Astor se eriça, levanta o rabo e olha para a porta. É o jeito dele me avisar que a campainha está tocando. Moça, seu sonho chegou.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Passo mais um café para te esperar. Acabo tomando três, quatro cafés por dia. É o meu cigarrinho. O barulho da água subindo me dá a sensação de que tem algo pronto. Enquanto espero, o som do vapor da Bialetti me distrai. A cidade está sempre balbuciando socorros e buzinas, mesmo em janeiro. Mas o mundo sempre acontece aqui dentro. Os dias passam. Um ritmo ameno dá conta dos acontecimentos. É estranho dizer, mas nada me aflige.
sábado, 19 de janeiro de 2013
in utero
Eu teria um título de um livro para te dar. Eu teria um segredo abismal, uma oferta irresistível. Um título de um livro seria algo de real valor. Às vezes pode ser tudo o que precisamos. Ou um título de alguma coisa. Um título de tristeza, um título de alguém na vida. Um drink no escuro, como um quarto escuro onde as pessoas se tocam sem saber quem são. Quem se atreve a entrar lá? Quem toma um drink sem saber o que tem, qual a mistura, a química e a quantidade de ingredientes? Porque você pode tombar você pode acordar sem saber seu nome. E saber seu nome pode ser a única coisa que no final das contas você pode lembrar. Esquecer o título de você mesmo. Somente o Astor saberia seu nome.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Foi depois de tomar aquele single malt que você trouxe. Uísque, cerveja ou vinho? A resposta definiria parte da intenção. Um tantinho de saudade. Na esquina do embarque, as pessoas se aglomeravam, alguns se beijavam, outros choravam. Japoneses se despediam em grupo. Um homem com o filho no colo olhava absorto o painel de partidas. Fiquei em dúvida de qual direção tomar e por alguns segundos andei em círculo. Não tocava nenhuma música de fundo na minha cabeça.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Eu contemplava o telhado antigo. Sujo, cheio de musgo. Durante anos, ele esteve no fundo da minha visão. Com o céu ao fundo, algumas árvores que balançavam longe, e os aviões que passavam -e ainda passam- de vez em quando. Nada mudou. Apenas o telhado. Todo novo, com telhas atuais, dessas que dizem ter um encaixe melhor. A antiga parecia uma renda. Parecia um telhado bordado. Agora, o telhadinho fácil, limpo, contrasta com o que há de antigo no meu peito, e dói ver.
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