sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
que me salvasse da minha própria morte. eu sou a denúncia do meu próprio fracasso. a cicatriz não suturada, a música póstuma, a mentira pública. esqueçam-me. nada me resta. dei o último mergulho. e ele só foi bom enquanto senti o ímpeto. e agora vem a tempestade. com pedras restos de árvores pontiagudas. estou toda machucada.
quero ficar só. sentir o sol na minha pele morna. os sentidos serão. os diques, agora abertos, sobram águas sem escape. sem alívios. o meu mundo é um zepelim. não interrompa minha vertigem. lúcias, marias, olívias, eu flutuo no meu próprio mar, obrigada, isso me faz bem.
acordar. e estar só. equivale a um enterro. mas a noite sempre renasce o espírito. e como dói. não tenho lágrimas. músculos, um corpo que dói a cada passo, sem alívio. sim, eu gostaria de um abraço infinito.
acordar. e estar só. equivale a um enterro. mas a noite sempre renasce o espírito. e como dói. não tenho lágrimas. músculos, um corpo que dói a cada passo, sem alívio. sim, eu gostaria de um abraço infinito.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
eu sei o que se passa no seu coração.
ele não é novo, assim como o meu. e todos, digo, todas as pessoas, devem ter coração bom. afinal, todos são dotados de alguma essência. mesmo que um vestígio dela, há, ali, alguma coragem em amar.
amar. é certamente um delírio. deveras mundano. um delírio lotérico.
ele não é novo, assim como o meu. e todos, digo, todas as pessoas, devem ter coração bom. afinal, todos são dotados de alguma essência. mesmo que um vestígio dela, há, ali, alguma coragem em amar.
amar. é certamente um delírio. deveras mundano. um delírio lotérico.
Foi um sonho.
Eles deliram a gente. Demolem prédios, conduzem esquinas, torpores.
O sonho. Foi ele que me tropeçou. Ou me atropelou.
Porque o inconsciente não erra. Sonhar que se morre é também uma morte. Mesmo que se negue. Mas o sonho, este, não dava (para negar).
Absoluto, ele me disse: o seu prédio; você precisa demoli-lo.
E cá estou com as ruínas demolidas. E não devo tentar remontá-las.
Seria um delírio encaixá-las. Gastaria, com isso, baldes de colas, de rejuntes quetais.
E não seria estético, porque isso também impera. Então o que fazer? Dou um gole de vinho e respiro.
Não há o que fazer com pedaços (não quero jogar em ninguém, nem atirar nem devolver nem doar). Posso continuar quebrando, quebrando, diminuindo sua circunferência, implodindo ainda mais em pedacinhos que vão se tornar pó. Posso juntá-los em categorias (virginiana, que tal?) dar ordem e etiquetá-los com nomes ora objetivos, ora poéticos. Este pode ser um bom jeito. Ou limpar, varrer, assoprar, guardar aquela pedrinha, uma que represente o todo; lembrança do que ora fui. E isto não tem a ver com nada nem ninguém que me possa ler. Estas são as minhas paredes que eu mesma demoli. Algo de bom, cá vislumbro. Algum raio de sol, por entre a poeira. Como no final de uma guerra, quando entre mortos e feridos amanhece o dia e as equipes com suas cruzes vermelhas conseguem ver o tamanho dos estragos e suturar as feridas, carregar corpos e abraçar com um sentimento indizível de afeto, aqueles que sobraram. Os iluminados, vivos, que lambem seu sangue e exaltam a vida para além de qualquer entendimento.
No ínfimo grau da minha solidão, eu assino este texto.
Eles deliram a gente. Demolem prédios, conduzem esquinas, torpores.
O sonho. Foi ele que me tropeçou. Ou me atropelou.
Porque o inconsciente não erra. Sonhar que se morre é também uma morte. Mesmo que se negue. Mas o sonho, este, não dava (para negar).
Absoluto, ele me disse: o seu prédio; você precisa demoli-lo.
E cá estou com as ruínas demolidas. E não devo tentar remontá-las.
Seria um delírio encaixá-las. Gastaria, com isso, baldes de colas, de rejuntes quetais.
E não seria estético, porque isso também impera. Então o que fazer? Dou um gole de vinho e respiro.
Não há o que fazer com pedaços (não quero jogar em ninguém, nem atirar nem devolver nem doar). Posso continuar quebrando, quebrando, diminuindo sua circunferência, implodindo ainda mais em pedacinhos que vão se tornar pó. Posso juntá-los em categorias (virginiana, que tal?) dar ordem e etiquetá-los com nomes ora objetivos, ora poéticos. Este pode ser um bom jeito. Ou limpar, varrer, assoprar, guardar aquela pedrinha, uma que represente o todo; lembrança do que ora fui. E isto não tem a ver com nada nem ninguém que me possa ler. Estas são as minhas paredes que eu mesma demoli. Algo de bom, cá vislumbro. Algum raio de sol, por entre a poeira. Como no final de uma guerra, quando entre mortos e feridos amanhece o dia e as equipes com suas cruzes vermelhas conseguem ver o tamanho dos estragos e suturar as feridas, carregar corpos e abraçar com um sentimento indizível de afeto, aqueles que sobraram. Os iluminados, vivos, que lambem seu sangue e exaltam a vida para além de qualquer entendimento.
No ínfimo grau da minha solidão, eu assino este texto.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
as rochas sofrem o desgaste com a passagem do rio. não que se tornem melhores - sim, isto visto aos olhos, mas não aos delas. elas se adaptam mas necessitam lembrar a sua natureza. a sua essência é rocha, pedra dura e indissolúvel. mesmo torta mesmo gauche com cores que não combinam. porque todos querem ver uma rocha lapidada, esta sim é admirável ao olhos do mundo! como assim somos...
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