quinta-feira, 27 de maio de 2010

o que fazer com a minha tristeza? levar para a rua e tentar desanuviá-la sob o risco de frustrar-me? ou deixar para trás?
caminho com as mãos no bolso. caminho pouco pelo mundo. o meu mundo está aqui, cincunscrito. neste tapete colorido que contrasta com as duas cores do astor (que são também as minhas). a geladeira mais ou menos vazia, os filmes que compro na esquina. está tudo aqui, obrigada. mande pedidos para outros feudos. aqui estão as palavras inscritas nas paredes, na cadeira de balanço, na colcha de retalhos que embala meu sono. acordo e durmo comigo. dou uma baforada e trago uma bebida forte. esquento meu âmago. é com prazer que brindo a solidão plena. com este meu jeito lento de ser. com o astor. estava com esta palavra guardada, tentei realmente ser discreta, mas a verdade é que estou em regozijo. obrigada àqueles que me deixaram só. daria gritos de felicidade se este não fosse um sentimento genuíno e compartilhado intimamente apenas com o meu cachorro, que, neste momento, tem pequenos espasmos enquanto dorme, profundamente.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

deserto de papel. quando ele está branco - o papel - eu estou deserta.

sábado, 22 de maio de 2010

eu não tenho exatidão. sou brava. sinto tudo duas vezes, ou mais. meu anjo e meu demônio negociam tudo a céu aberto (e não enquanto durmo). por isso tantas vezes fico imperscrutável. quando escureço sou capaz de morrer em carne viva. eu tenho uma tristeza incomensurável. um detalhe me faz amar ou odiar. passo tempos me sentindo em estado de demolição. em geral, gosto infinitamente das pessoas. sou gentil e pétrea. só o astor me redime com seus olhos cor de mel.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

o silêncio, eterno indecifrável. ninguém chega até mim.

domingo, 16 de maio de 2010

domingo este dia amanhece azul. tenho a rua, minha amiga. as luzes da cidade apagaram, não me distraio com elas. sim, as cores são do dia. as cores me distraem. sou um delírio em prosa. nada verborrágico, somente mais fluido que a poesia com seus versos que vão logo para baixo. vou ao mundo buscar o impossível.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

eu não me esqueci. apenas não sei onde procurar. quais palavras selecionaria para dizer. que seria um carinho (teria um gesto?). como um fruto que não foi aberto e apodrece. todos se apressam. a vida corre a cem graus, no limite entre. eu paro e lembro. não tenho mais o seu número. não sei mais o seu apelido. o seu rosto ainda me é claro, mas o cheiro, perdi. não foi falta de prestar atenção. mas tudo o que é efêmero voa, sobretudo aqueles que um dia pousam e decolam quase sem deixar rastro. com a sem-cerimônia dos passarinhos, que cantam todas as manhãs no meu entre-sono, sem que nunca os veja. eles só nos deixam existir à distância.