eu não me esqueci. apenas não sei onde procurar. quais palavras selecionaria para dizer. que seria um carinho (teria um gesto?). como um fruto que não foi aberto e apodrece. todos se apressam. a vida corre a cem graus, no limite entre. eu paro e lembro. não tenho mais o seu número. não sei mais o seu apelido. o seu rosto ainda me é claro, mas o cheiro, perdi. não foi falta de prestar atenção. mas tudo o que é efêmero voa, sobretudo aqueles que um dia pousam e decolam quase sem deixar rastro. com a sem-cerimônia dos passarinhos, que cantam todas as manhãs no meu entre-sono, sem que nunca os veja. eles só nos deixam existir à distância.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
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