sexta-feira, 30 de julho de 2010

minha mãe deixou algumas coisas inacabadas. eu sou uma delas. ela me deixou despedaçada, com o coração em frangalhos, a fé enviesada, um turbilhão de descrenças no mundo, no ser humano e até no amor.
o meu coração, talvez e ainda, seja refratário à algumas coisas. quais delas, não importa. eu não sei - se soubesse diria - mas ainda não tenho clareza sobre tudo e talvez nunca tenha.
ela costurava. não é bem costura o nome. é uma espécie de tapeçaria. eu tenho uma almofada na minha casa que ela fez. e é linda, toda colorida. daqueles objetos que se percebe que foram feitos com amor. porque amor existe impresso (e expresso) no mundo, apesar do meu ceticismo...
e muitas peças ela começou e não terminou. amanhã vou conhecer a artista que ensinou a ela este ofício, ou arte, ou passatempo, seja lá o que for; e terminarei de costurar, aprenderei como se preenche aquele colorido ponto por ponto. não sei se conseguirei fazer tão bonito, nem com tanto amor, mas uma coisa eu sei: meus amigos ganharão presentes diferentes daqui para frente. e minha casa ficará mais colorida. além disso, semana que vem é aniversário da Sofia, minha sobrinha, e - adivinhem - tem uma encomenda do céu para ela...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

é a corrente sanguínea. quente, grossa. cabe um deus nas minhas veias. a potência do que sinto está lá. vermelha.

domingo, 25 de julho de 2010

sou feita de encantamentos.

terça-feira, 20 de julho de 2010

alguma coisa quebrou dentro de mim. ou terá sido tudo?

monto e desmonto o que parece ser lógico, eu tenho um coração (de pedra?), uma vida reclusa com um cachorro e um tapete colorido, o meu sorriso demora a aparecer e eu sofro demasiado. o coração ora bagunçado ora mergulhado e uma vertigem, vertigem real que tem nome científico, o meu eixo se movimenta em círculos enquanto continuo parada. desvelo-me em suspiros distantes. me emociono com o porvir que confabulo. alguém pegou uma parte minha que estava aqui?

grita uma mulher lá fora e se o seu sofrimento for real, não poderei salvá-la, como ninguém poderia.
eu já te disse que eu não tenho exatidão? que a minha matemática é tortuosa e meu espírito um pouco perturbado? não são forças espirituais, não tenho encosto ou coisa do tipo. mas em alguns momentos o meu espírito não me habita. fica como que deslocado, torto mesmo, como um escoliótico, andando enviesado. sim, para frente; mas com esta manquidão, um tanto delirado e vendo apenas palmo adiante.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

agora o tempo vai passar rápido. porque.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

vem, que eu sou a sua ira. entorte o pescoço para me encontrar. veja o meu vulto no poste da esquina, não o siga. não venha até mim. o meu cheiro é uma ilusão de sentido, um delírio vertiginoso. deixo um ansiolítico em cima do livro de cabeceira. o livro é memórias, sonhos e recordações. memórias, sonhos e recordações.