Eu tenho uma flor para te dar. Está guardada, no vaso, com água. Tem uma cor nela, somente uma. Mas é assim: eu te daria. Mais provável que não dê. Dizem que não damos aquilo que não temos. Mas eu tenho uma flor para te dar. O que talvez seja.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
era um artista. era ele tocando violino nas esquinas de pinheiros. seria um tanto complicado fazer a genealogia de um poeta. o telefone não toca neste domingo a noite. a noite, não é fria, aqui dentro. ouço um novo cd comprado ali na feirinha de discos. meu avô tocava aqui pelo bairro, os taxistas da joão moura lembram dele. seu herculado descia aqui para tocar pra gente. lua sem fim na esquina da cardeal é onde eu espero os táxis quando saio a esmo.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Do amor eu sempre sonho. Na latitude uma vírgula, uma vírgula me faz continuar. Viro à esquerda, vejo uma mulher bonita, apressada. Eu teria um mundo todo. Ouve uma música bonita. Sem agudos, uma música sóbria. Sejamos sóbrios. Teria uma vírgula. Somos nós. Os objetos repousam, meus livros repousam sobre a cabeceira da cama. Eu sonho. Não com o amor. Eu sonho como o amor.
domingo, 11 de setembro de 2011
Eu poderia ir exatamente agora. O essencial já me foi dado.
Pois essencial mesmo é o Astor abanando seu rabo. O resto é uma coleção coletiva de neuroses e pessoas famintas. Despeço-me, mais uma vez, das minhas carcaças, tiro minhas peles, desvisto-me. A minha solidão é pura. Eu sou, infimamente. E essencial é nada. Vivemos em meio a barbárie, e isto, nada mudará. O comum é absolutamente torto e o massacre cotidiano segue seu curso. Cortam-se os laços. Não há banho sagrado que resolva. As belas vozes somente alguma arte pode atingir um coração. A natureza com sua beleza estupenda. Eu sigo meu curso, despetalado, com alguma sobriedade. Com o Astor abanando seu rabo. E é isto, somente, e talvez nem isto, que me leve ainda adiante.
Pois essencial mesmo é o Astor abanando seu rabo. O resto é uma coleção coletiva de neuroses e pessoas famintas. Despeço-me, mais uma vez, das minhas carcaças, tiro minhas peles, desvisto-me. A minha solidão é pura. Eu sou, infimamente. E essencial é nada. Vivemos em meio a barbárie, e isto, nada mudará. O comum é absolutamente torto e o massacre cotidiano segue seu curso. Cortam-se os laços. Não há banho sagrado que resolva. As belas vozes somente alguma arte pode atingir um coração. A natureza com sua beleza estupenda. Eu sigo meu curso, despetalado, com alguma sobriedade. Com o Astor abanando seu rabo. E é isto, somente, e talvez nem isto, que me leve ainda adiante.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
é sóbrio, dança. refúgio. elíptico. eu te daria adeus não fosse o nó do meu peito. quando ela disse: aqui, no seu coração. estava parado ali. um resto de muro, talvez pichado. de repente fiquei leve, fortuita. olhei o mundo como mundo. (mundo é contrário de imundo. foi o que minha amiga, a filósofa, disse). a sua forma física é o amor declarado. parece que não, mas é.
domingo, 17 de julho de 2011
porque o amor pode ser totalmente cego, como pode ser totalmente cru. com um vestidinho xadrez, num silêncio vespertino que repercute na temperatura do final de tarde. sol de dia, de repente um frio sepulcral obriga-me a esquentar a água para fazer um chá de hortelã natural. uma música que começa triste e termina apoteótica, daquelas que dão vontade de correr, de pegar uma estrada, fugir do mundo para não se encontrar. nunca mais, a estrada nunca mais será a mesma. que daria de mim dizer que te amo e que sofro de perder-te? vespertinamente a temperatura cai. um frio entra pelas frestas do meu vestido, o meu pescoço endurece. a minha nuca. seria feliz com o seu beijo. o amor pode ser totalmente cru. pode ser uma lâmina, um gilette fino a estratificar a pele em linhas de sangue simétricas. pode ser uma abelha a zumbizar de agudezas o espírito. daquelas que atormentam até a morte, até o vergão furar a pele. agulha-lâmina, sóbria, vertiginosa, insistente, gradual, impoluta.
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