segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

os porquês e os paraquês

Outro dia, um amigo acordou com a seguinte pergunta na cabeça: por que estou vivo? Ele, que é um homem forte, viril, só falta o escudo e a espada como ornamento, como pode ter acordado com essa indagação tão simples? Pois eu fiquei com a dúvida da dúvida. Por que alguém acorda e pergunta por que está vivo? Tenho uma amiga que diz que a pergunta certa é sempre para quê e não por quê. Porquês temos aos milhares, mas os para quês são mais complexos e difíceis de responder.
É simples de entender. Na frente da vitrine, por que preciso de um sapato? Porque os meus estão velhos, porque não tenho um sapato dessa cor, porque eu trabalho muito e mereço esse mimo. Mas, para que você precisa comprar o sapato? Bom, nesse momento a cabeça dá uma enroscada, não dá?
E talvez ele não encontre os porquês de estar vivo. Ou talvez encontre milhares. Porque ele respira, porque a mãe dele o gerou, porque ele precisa aprender, evoluir, amar, sei lá. Mas, e, para quê ele está vivo? Listinha difícil de responder... (É difícil até de acentuar os chapeizinhos dos ÊS, quanto mais de responder).
Existe, também, uma diferença grande em perguntar por que estou vivo ou por que eu nasci. Eu nunca me perguntei por que estou viva, e sim, em último caso, por que eu nasci. Agora, o porque de se estar vivo é uma questão que não se vitimiza, ela se refere ao momento presente e não há 30 anos atrás, quando estava na barriga da mamãe. Faz toda diferença.

5 comentários:

Anônimo disse...

Tinha até esquecido o quão bem você escreve. E para mim, não há para quês pontuais. Vive-se. E ponto.

Anônimo disse...

Esquentar a cabeça, para ter o prazer de desesquentar.

Quer ver a destruição de um homem? Dê a ele tudo o que ele quiser.

Quer ver a destruição de um homem? Dê a ele todas as respostas.

E o que seria da vida sem perguntas?

O que é a vida?

Pergunta sem resposta, resposta sem pergunta, compreensão que ninguém consegue entender.

Paula Corrêa disse...

Ricardo, vindo de vc, um elogio como esse vale 2. Fernanda, não vou esquecer de buscá-La - a inspiração - a cada minuto-músculo. Roberto, que bom que retornaste.
Tenho tantas coisas que gostaria de escrever, milhares de detalhes que sempre escapam, não ao meu olhar, mas à reflexão necessária e peremptória do ato de escrever.
Beijos a todos, Paula

Anônimo disse...

Adorei o paralelo entre as diferenças destas perguntas absolutas em nossas vidas. Acho que além delas, o que mais no move, são os sonhos. Ah tempos, já me questionei à torre Eiffel e à uma pedra no caminho, bem como me questionei aos olhos marecéu mais lindos que já chorei. Estas perguntas permanecem sem respostas e afinal, quem, ao perder ou deixar partir o seu grande amor, não desfaleceu em prantos ao dizer: "Sem ti, não vivo!"
Ou quem, ao tentar durante 9 meses sair do ventre materno, não passa o resto da vida tentando voltar e aqui, sem questionamentos.

Anônimo disse...

Abri os olhos
Sandy Leah

Sei
Mais do que eu quis
Mais do que sou
E sei do que sei
Só não sei viver
Sem querer ser
Mais do que sou.

E fato é o ato da procura
E a cura não existe só
O que era certo
Eu descobri
Nem sempre era o melhor

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

Não sei afastar
A dor de saber
Que o saber não há
Só não sei dizer
Se esse meu ver
Se pode explicar

Enquanto eu penso
Tanto entendo
Que é mais fácil
Não pensar
O que era certo
Eu aprendi
A sempre questionar

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

Ahhh...Ahhhh...

Sei
Mais do que eu quis
Mais do que sou
E sei do que sei

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar