terça-feira, 22 de janeiro de 2008

um moment´s com os grafiteiros

Semana passada o MAC USP Ibirapuera abriu a exposição Street Art - do Graffiti à Pintura, com 60 obras inéditas de 20 grafiteiros, mezzo brasileiros mezzo italianos. Eles foram escolhidos por dois curadores, que promoveram um confronto, ou melhor, um encontro da grafiteria de cá e de lá. O responsável pela escolha da terra nostra é o professor Fábio Magalhães e o da terra vostra é o atual secretário de cultura de Milão, Vittorio Sgarbi.

Quem ajudou o Fábio Magalhães a entrar no universo underground do grafite foi o Daniel Medeiros, mais conhecido como Boleta. O grafite tem por característica o anonimato. Todos assinam por codinomes, então nunca se sabe direito, exceto pelo estilo, quem é que está pintando e bordando os muros, viadutos e vielas da cidade. Tive bastante contato com o Boleta e com as explicações que ele dava das obras e dos artistas. Alguns eram velhos conhecidos dele (como Higraff, Cesar Profeta e Tim Tchais), em outros casos ele sugeriu nomes mais novatos, como a Yá! (adorei o trabalho dela) e o NDRUA. É justamente sobre o Ninguém De Rua que quero falar nesse texto.
O Ninguém, como o chamam, tem olheiras. Quando o Boleta falou isso, já fiquei com as olheiras em pé. Olheiras mesmo, não orelhas. Porque eu tenho olheiras de nascença. Elas crescem ou diminuem conforme meu estado de espírito, mas EU TENHO olheiras, invariavelmente. Já tentaram me dissuadir a ir num dermatologista, mas eu não vou. E o NDRUA criou um personagem que ele desenha em quase todos os grafites, que é um grande olho estilizado com olheiras. Eu adorei isso. O cara não só não tem vergonha das próprias olheiras como estampou na obra, pra todo mundo ver. E aí eu achei muito irreverente essa obra, Moment´s, com os três personagens sentados no sofá fazendo um "cigarro de maconha" (haha). Estão lá no museu, como obra de arte. Estou até com mais orgulho das minhas próprias olheiras, depois de ver o NDRUA transformando em arte algo que, em geral, as pessoas acham feio e digno de ser apagado.

2 comentários:

Anônimo disse...

Já vi muita olheira com estilo.

Anônimo disse...

Lamentavelmente, ainda existe certo apego às convenções, às “normas”, mas havemos de nos libertar, pois há tempos descobrimos que não há limites para a criação e a arte. Ser NORMAL é ser subserviente às NORMAS pré-estabelecidas e sintonizadas aos interesses de “alguns”, isso é o que caracteriza o conservadorismo.
Mas estamos nos libertando!
É necessário que o vagar criativo e na sua mais intenção expressão, seja dado ao lume. O drama, as forças das paixões ardentes, a imaginação sem limites, a simplicidade, a manifestação da alma adejante para, positivamente, emparelhar com o gênio vagabundo do autor de HAMLET, paixões no peito da arte em assuntos que transbordam e crescem em torrentes que se tornam em um oceano, Street Art - do Graffiti à Pintura.