"Toma uma bolinha, dorme, amor, ilumina seus sonhos infantis com uma viagem infinita. Aquele cachorro grande virá te buscar para vingar as crianças que quiseram te jogar no lixo. (citação A História Sem Fim). Você será salvo pelo placebo azul, não a banda, que eu adoro, mas a bolinha. Amiga, as bolinhas azuis terão um efeito devastador (devastar a dor, óbvio) a musiquinha de criança vai tocar quando você estiver quase saindo da vigília. A voz de sua mãe vai soar no fundo da sua cabeça e você sentirá o edredon subindo até seu pescoço - pra não ficar nenhuma parte do seu corpo descoberta. Minha mãe costumava puxar minhas blusas pra dentro da calça pra não subir ventinho e não sentir frio. Até hoje coloco as blusas debaixo da calça. Sinto frio de fato. Ela fez tanto isso que não criei pele nessa região fica um vazio eterno que sente frio sempre. Tudo o que ela fazia pra mim, agora, antes, é tudo um vazio eterno - bolinhas azuis, novamente. Tudo pra falar delas. Você já tomou, amor?"terça-feira, 18 de março de 2008
Placebo
"Toma uma bolinha, dorme, amor, ilumina seus sonhos infantis com uma viagem infinita. Aquele cachorro grande virá te buscar para vingar as crianças que quiseram te jogar no lixo. (citação A História Sem Fim). Você será salvo pelo placebo azul, não a banda, que eu adoro, mas a bolinha. Amiga, as bolinhas azuis terão um efeito devastador (devastar a dor, óbvio) a musiquinha de criança vai tocar quando você estiver quase saindo da vigília. A voz de sua mãe vai soar no fundo da sua cabeça e você sentirá o edredon subindo até seu pescoço - pra não ficar nenhuma parte do seu corpo descoberta. Minha mãe costumava puxar minhas blusas pra dentro da calça pra não subir ventinho e não sentir frio. Até hoje coloco as blusas debaixo da calça. Sinto frio de fato. Ela fez tanto isso que não criei pele nessa região fica um vazio eterno que sente frio sempre. Tudo o que ela fazia pra mim, agora, antes, é tudo um vazio eterno - bolinhas azuis, novamente. Tudo pra falar delas. Você já tomou, amor?"
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7 comentários:
"De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã".
(Caio Fernando Abreu)
Paula,
Essa frase do Caio F. é como a inspiração a cada “minuto-músculo” que eu te desejei (e continuo desejando)...
Bolinhas azuis que adornam nossa imaginação, nos dando uma sensação de conforto e proteção.
Ah! Como é bom ter alguém que cuida de nós e nos faz agradáveis no mundo tirano e insano.
Alguém que nos tranqüiliza. E quando a realidade nos machuca, é capaz de se fazer diretor do teatro dos nossos sentimentos que não fomos capazes de configurar na perfeita conexão do aconchego.
Alguém que nos faz dormentes de nós mesmos, a ponto de quase voar.
Na ausência desse alguém... “(...) fica um vazio eterno que sente frio sempre (...)”. E quem nos protegerá do Frio?
Porque sentimos frio de fato.
Cobrimo-nos com os nossos próprios edredons, com as nossas próprias mãos, mas não faz sentido.
Que substancial diferença é a de outra pessoa balançar a rede do nosso acalento, apenas fechar os olhos e se deixar levar, não apenas pelo balanço, mas pela deliciosa sensação de proteção, de que alguém nos ama e cuida de nós com sincero carinho.
Cantigas antigas e distantes de ninar... “(...) a voz da sua mãe vai soar no fundo da sua cabeça e você sentirá (...)”.
Bolinhas azuis no iminente adormecer.
Sonhos infantis com uma viagem infinita.
Placebo azul.
Já estou aguardando o novo Post.
Belo texto!
Que bom que vcs voltaram...
Obrigada pela parte que me toca. rs
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