quinta-feira, 24 de abril de 2008

A verdade é que eu não presto. Nada tenho a declarar para quem sofre, não estendo as mãos para quem necessita. Não estou interessada nos problemas alheios. Um surto me tiraria da insensibilidade. Mas eu jamais terei um surto. Jamais quebrarei o decoro. Não vou de encontro a um abraço. Se um dia ouvir uma declaração de amor de um morimbundo, virarei a esquina com a face absolutamente estável. Meus músculos pouco reagem. Nem uma luta de boxe estimularia minha carcaça.
Não tenho pudores em dizer acabei de morrer ou matar: pouco faço para impressionar quem sobrou. Sopro barbaridades nos ouvidos sobretudo dos felizes, derrubo quaisquer ânimos. Sou um distúrbio precoce. Pulso efemeridades pontiagudas. Energia atômica sigo a poluir rios esperanças infâncias. De joelhos peço: não me ouça.

2 comentários:

roberto alencar disse...

Dolorosa quebra de vasos de barro, inútil, os visinhos não foram incomodados, o objetivo não foi alcançado. Vem agora a necessidade de desnudar-se, deixar de ouvir, deixar de enxergar, correr na direção da indiferença, do anti-mundo. Que grande perda é a dos labirintos, na ausência deles perde a graça. É bom não saber do tudo pelo interesse do nada. Quem sabe é na negação que a verdade se esconde.

Anônimo disse...

quebro minha cara num bueiro de vidro. me masturbo pensando em deus trepando com o demonio